Quem está à margem?

Sidnei2

Sábado andreense. Um fog quase londrino convida a ficar em casa entre cobertas, vinhos e chocolates quentes. Para as cerca de quarenta pessoas que vieram ao Alpha e não se intimidaram diante do invernico primaveril, a tarde resultou compensadora. O filme de José Padilha, Ônibus 174 (um tanto quanto longo para ser catalogado como documentário) rendeu um bom debate, brilhantemente conduzido pelo prof. Sidnei Barreto, que se valeu de figuras da linguística (matéria de sua especialidade, na qual é doutorando pela USP) como metáfora para seus agudíssimos apontamentos do filme, eu diria, quase quadro a quadro. Diante da crueza da realidade do Ônibus 174, não sobrou espaço para discutir o filme enquanto filme. O debate enveredou sobre essa realidade e os conceitos de “marginalidade” e suas origens, “violência” e sua banalização. Quem está à margem, quem é marginal? O que revida a violência sofrida com mais violência é menos marginal do que aquele que a provocou? Aquele porque perdeu a razão e transgride a lei, este porque não teve a chance de cultivá-la e tampouco a de ser inserido na sociedade como verdadeiro cidadão (à margem da margem). A falência das instituições e suas graves omissões, a falta de uma educação que forme indivíduos críticos na sua totalidade humanista está, de acordo com o debate, no cerne das causas de muitas das nossas mazelas sociais. Se você assistiu ao filme, seus comentários são bem vindos. Aguardamos. (dtv)

Sidnei1

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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