A morte joga xadrez

A tarde desta quarta-feira no Alpha foi invadida pelo poder das imagens (e diálogos) de Ingmar Bergman. O Sétimo Selo (1956) foi o filme escolhido pelo prof. Edmundo para abrir o tema do mês no Cineclube: filosofia. O filme é soberbo, como, aliás, toda a filmografia do diretor sueco. Através de uma fotografia exuberante (em P&B), cuja tema bíblico do título (Apocalipse de João 8 1-6) já remete à derrocada da humanidade, Bergman coloca em discussão dois temas principais: Deus e Morte. A reboque, todo um panorama de um mundo antigo (por volta do séc. XIV), seus fundamentalismos religiosos que impõem a o medo, a culpa (que leva ao flagelo) e o castigo (a fome e a peste). Deus e a fé (ou a falta dela) perpassam quase todos os diálogos do cavaleiro que volta, após 10 anos nas cruzadas, e joga xadrez com a morte (única e implacável certeza), adiando-a, em busca de um sentido final para sua vida e resposta para suas indagações. Alegoria que bem pode ser aplicada ao mundo de hoje que tanto “progresso” alcançou na ciência e na tecnologia, mas cuja humanidade permanece presas às mesmas angústias e inquietações, aos mesmos medos, com algumas variações (a caça às bruxas, para só ficar com uma das possibilidades, foi substituída pela caça aos terroristas). Apesar do filme ficar num plano imagético, é perfeitamente possível retirar dali muita da “realidade” humana e reflexão do mundo que essa humanidade construiu, jogo intricado do qual é difícil escapar. Aguardamos comentários daqueles que já assistiram ao filme. No próximo dia 18.10 (quarta-feira às 15h00), tem mais. Confira toda a programação do mês de outubro na página: www.alpharrabio.com.br
(dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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