Os poetas observam a poesia

Mais uma vez o grupo Observatório do Poema voltou a se reunir no Alpha, sob a batuta de Tarso, para sondar de perto alguns mistérios dos procedimentos poéticos. Octavio Paz e seu cinquentenário O Arco e a Lira, desde o começo do ano, vem sendo motivo de estudo, no sentido de construir relações entre as reflexões ali contidas com as de críticos da atualidade acerca da poesia contemporânea brasileira.
Na pauta deste sábado, dois capítulos de o Arco e a Lira: O verbo desencarnado e Whitman, poeta da América. Como exercício comparado, um texto de Flora Süssekind (A Poesia Andando) que investiga o livro As Banhistas, de Carlito Azevedo, mais uma “coda” acrescida por Tarso hoje, um trecho de A Ideologia Alemã, de Marx . Observando, o grupo (Tarso, Valdecirio, Possidonio, Deise, Kleber, Edmundo, Dalila, Margarita) aproxima sua lente de aumento daqueles textos e discute conceitos como: “A verdade não procede da razão e sim da percepção poética, isto é, da imaginação” (Paz); “é como “ponto de vista”, não como “personalidade”, que se expõe o sujeito em As Banhistas” (Flora)” ou, ainda, “A consciência jamais pode ser outra coisa do que o ser consciente, e o ser dos homens é o seu processo de vida real” (Marx), na tentativa de estabelecer aproximações.
Pois é, Octavio Paz também aponta que “diversamente das sagradas escrituras, a escritura poética é a revelação de si que o homem faz a si. Dessa circunstância procede o fato de a poesia moderna ser também teoria da poesia. Movido pela necessidade de fundar sua atividade em princípios que a filosofia lhe recusa e que a teologia só lhe concede em parte, o poeta desdobra-se em crítico.”
Talvez isso, mais a eterna “febre” do desejo de “desvendar” explique o porquê desses malucos insistirem em observar, observar…
(dtv)

Observatorio10

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Os poetas observam a poesia

  1. Constança says:

    “A poesia é conhecimento, salvação, poder, abandono. Operação capaz de transformar o mundo, a atividade poética é revolucionária por natureza; exercício espiritual, é um método de libertação interior. A poesia revela este mundo; cria outro.’”" in O Arco e a Lira’ de Octávio Paz