Justiça, a quantas andas?

DraEliana

Sábado, 28, exibimos mais um documentário dentro do Ciclo Prova dos Nove. “Justiça”, o filme da diretora Maria Augusta Ramos (2004), representou mais um daqueles socos no estômago do espectador e foi brilhantemente comentado pela convidada Dra. Eliana Borges Cardoso, advogada, mestre em direito pela USP e ex-diretora da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo. Com certeira agudeza, a professora apontou vários caminhos e reflexões ensejadas pelo documentário, como:
Levando-se em conta que 97% da população carcerária é composta de pobres e 85% de negros, seria o caso de perguntar:
- A justiça criminal no Brasil é feita para quem?
-A justiça é feita para socorrer o pobre ou para incriminá-lo?
- Até que ponto o sistema judiciário em questão reintegra e socializa? (quase todos são reincidentes).
- O criminoso nasce criminoso ou a sociedade o faz criminoso?
- Até que ponto a cifrada linguagem do direito (longe do dia-a-dia do réu, que não a compreende) é objeto de denominação?
Outras questões suscitadas que foram levantadas pela professora:
- A questão da ética. Os pobres não têm em quem se espelhar e isso se reflete na conduta social.
No entanto, nossa convidada se deteve na análise de uma questão que, no seu modo de ver de educadora, mais lhe interessa: a da formação dos atores jurídicos (juízes insensíveis, falta de um sistema punitivo alternativo, urgência de educação ética dos alunos na Faculdade em face a comportamentos incompatíveis com a função da profissão. O bacharel sai da Faculdades sem técnica – sequer passa no exame da OAB – e sem formação humanista), dentre outros aspectos da mesma gravidade.
Como se pode ver, um panorama nada animador, dentro ou fora da tela. Saímos todos cabisbaixos, a pensar, a pensar… (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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