Diários, leitura e memória – desdobramentos

Os pais dos pequeninos alunos da EMEB Ana Henrique Clark Marim, de São Bernardo do Campo, quando foram convidados pela professora Terezinha Cristina Nakama Tsu Siraque para uma reunião de encerramento do ano letivo, certamente não imaginaram o conteúdo dessa reunião. Tampouco os escritores Antonio Possidonio Sampaio, Wagner Calmon Ferreira e Dalila Teles Veras, quando foram igualmente convidados para comparecer à mesma reunião, também não sabiam exatamente o que ali ocorreria. Pois bem, na data e hora aprazados, lá estávamos nós, numa pequena sala, na qual já se encontravam os pequeninos, nossos “velhos” conhecidos (aqueles que nos fizeram uma memorável visita – vide resultado desse encontro, em outubro último, neste blog) acompanhados de seus pais. Trataram-nos com intimidade, chamando-nos pelos respectivos nomes e indagado pela Margarita, a escritora Argentina que também os recebera na livraria. Pois bem, ainda que tenhamos sido informados sobre o trabalho em sala de aula com esses alunos, devo confessar que não estava preparada para tamanha surpresa diante do meritório e apaixonado trabalho da professora. Inspirada no livro ABC Cotidiano, de Antonio Possidonio Sampaio e, posteriormente, na coleção Imaginário, composta de 5 volumes com os diários literários do ano 1999, dos escritores Antonio Possidonio Sampaio, Alexandre Takara, Marília Magalhães, Dalila Teles Veras e Valdecirio Teles Veras, publicada pela Alpharrabio Edições, Terezinha levou a cabo um interessante projeto de fomento à escrita e à leitura com seus pequenos alunos. Posteriormente, também a leitura do livro Pipoco, Pipocadinhas, de Wagner Calmon com desenhos de Constança Lucas, entrou como atividade. Ali estavam, reunidos numa pequena e modesta sala, os pequeninos e seus respectivos pais, para nos receber e trocarmos experiências. Confesso que, no que me toca, devo ter aprendido mais do que eles. Ouvimos primeiro o relato emocionado da professora Terezinha sobre todas as etapas das atividades. Cada aluno (5 e 6 anos) escreveu o seu diário (os que não sabiam escrever, desenharam ou ditaram para a professora), contando do seu cotidiano, em uma caderneta individual. Por sua vez, a professora preparou um “diarão” coletivo, que foi escrito por todos, inclusive por familiares das crianças. Ali estavam expostos, para apreciação dos presentes, os diários, as fotos, os desenhos ampliados de Constança, as frases recolhidas dos alunos, que bem demonstram o interesse e o envolvimento com a atividade da escrita e da leitura. Após a fala da professora, pudemos assistir a um belo jogral composto por todos os anos ali presentes que interpretaram poemas de Wagner. O livro Pipocos nas mãos era mera formalidade cênica, eles já sabiam os poemas de cor. Após uma breve fala dos escritores, os próprios pais se manifestaram, alguns confessando que gostaram tanto da experiência, que vão continuar registrando suas vivências cotidianas bem como as memórias familiares. A seguir ao sorteio de alguns livros das Edições Alpharrabio, todos foram apreciar a exposição, acompanhados de um simpático lanche, preparado com muito capricho pela merendeira da Escola. Saímos dali acreditando ainda mais na possibilidade da transformação através da educação e da cultura, a palavra como ferramenta, desde que manejada por pessoas que dela queiram se apropriar com seriedade. Saímos dali orgulhosos de ter inspirado e contribuído, ainda que de forma tão pequena, com esse belo e elogiável trabalho da professora Terezinha que teve o incondicional apoio da direção da Escola, bem como de seus colegas. Para nós, tudo isso significa uma mais do que gratificante recompensa. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Diários, leitura e memória – desdobramentos

  1. Rosana Chrispim says:

    Deu uma saudade do Livrespaço! A gente sabe do valor do trabalho interessado de um professor que acredita na sua profissão, no seu ideal, na missão que lhe cabe, adespeito mesmo das mazelas que os atingem, mas que, infelizmente, não são exclusividade da classe. Sem saudosismo, pena que trabalhos como esse (todo) ainda tratam de um pequeno contingente. Que maravilha que sempre exista gente assim, disposta e batalhadora, idealista e capaz!