2006 – Inevitável balanço

Antes de arrancar a última folha do calendário, não resisti à tentação de fazer um breve balanço das atividades culturais realizadas no Alpha ao longo deste 2006. O levantamento dos dados é da incansável Luzia Maninha que, tão logo ficou sabendo de minhas intenções, foi a campo e logo depois, apresentava-me a lista completa. Acredito na pertinência do balanço, uma vez que este jovem blog registrou apenas os últimos 4 meses do ano e, assim, ficaríamos aqui sem idéia do conjunto dessas atividades.
Vamos aos números:

- 19 palestras (8 delas dentro do ciclo Pensamento atual)
- 9 filmes exibidos (Ciclo Prova dos Nove)
- 21 atividades do cineclube, coordenado pelo prof. Edmundo Dias
- 10 encontros do grupo de estudos Observatório do Poema, coordenado pelo poeta Tarso de Melo
- 16 lançamentos de livros, com respectivas sessões de autógrafos
- 4 shows musicais
- 7 oficinas
- 1 peça teatral
- 1 exposição

TOTAL: 88 atividades (média de 8 por mês), levando-se em conta que só tivemos atividades na segunda quinzena de janeiro e na primeira de dezembro, ou seja, um total de 11 meses úteis).

Para uma equipe tão pequena como a nossa (uma funcionária que cuida do atendimento ao público, uma voluntária em tempo integral, a factotum Luzia Maninha e esta escriba), sem qualquer financiamento externo, devo admitir, sem falsa modéstia, que não foi pouco. Claro que não fizemos tudo sozinhas. Não podemos deixar de registrar o apoio constante de colaboradores (também voluntários) como Isabela T.Veras, Tarso de Melo, Marcos Sidnei Pagotto-Euzébio e Edmundo Dias que, de uma forma ou de outra, contribuíram com suas idéias e, algumas vezes, com trabalho braçal, literalmente falando. Algumas parcerias foram de grande valia, como a da Faculdade Editora Nacional – FAENAC, que, através de seu Departamento de Pesquisa, nos forneceu todo o material de divulgação dos ciclos Idéias de Encontro – Pensamento Atual e Prova dos Nove – Ciclo de Documentários, emitindo certificado aos participantes e convidando alguns professores de seu corpo docente como palestrantes. Não podemos deixar de mencionar outros valiosos parceiros, como a Gráfica Bartira e o Fabricando Idéias, que, desde sempre, souberam compreender e colaborar com vários de nossos projetos, apoiando-os de diversas formas. É preciso também agradecer, de uma forma muito especial, aos 19 conferencistas que aqui vieram repartir os seus saberes, sem contar com nenhuma espécie de cachê, bem como aos músicos que igualmente aqui se apresentaram de forma voluntária. Como conseqüência, pudemos oferecer ao público todas essas atrações gratuitamente. Por último, mas não menos importante, é preciso registrar e agradecer sempre o apoio (moral, financeiro e amoroso) de Valdecirio Teles Veras. Numa sociedade capitalista que só visa atividades lucrativas e é guiada pela lógica mercadológica, isso tudo pode parecer romantismo barato. Para nós, no entanto, que temos o Alpharrabio como projeto de vida de inserção social e que, desde o início, temos nos empenhado para que esta casa seja um pólo irradiador e fomentador de idéias e arte, nada mais natural que seja assim. O público não foi contabilizado. Não nos interessa saber para quantos, mas como tudo isso foi recebido e, pelo que pudemos apurar, todos aqueles que fruíram desses bens culturais, deles saíram, confessadamente, mais enriquecidos (eu, em primeiro lugar).
Uma pena que a vida seja em ritmo tão acelerado e que não haja tempo suficiente para saborear melhor cada momento, refletir mais profundamente sobre cada uma das idéias e dos ensinamentos que aqui foram veiculadas. Mesmo assim, Bem hajam todos!
Vem aí o nosso 15° Ano! A ser comemorado e devidamente festejado. Aguardem as surpresas. Tenham todos um esplêndido 2007. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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9 Responses to 2006 – Inevitável balanço

  1. Rosana Chrispim says:

    E vamos para 15 anos, hem? Haja fôlego, haja ideal, coragem e persistência. Cada vez mais forasteira, sinto muito a falta que o Alpharrabio me faz. Não só pelo que de cultura nele circula, mas também pela atmosfera que nos apreende. Bem haja. Tomara que as distâncias se encurtem ou não contem!

  2. Margarita Lo Russo says:

    Para nosotros cuando se cumplen 15 años recien se empieza a vivir. Los primeros quince son apenas para atesorar sueños… y ahora? Ahora comienzan las realizaciones, a concretar, a realizar vale decir “hacer realidad” en base a la experiencia, pero eso sí, sin perder la capacidad de asombro.

  3. José de Souza Martins says:

    Dalila: já disse a você e a outras pessoas que considero a Alpharrabio uma instituição, uma livraria de intelectual e não uma livraria de comerciante e de meros compradores de livros. As atividades culturais conexas da livraria dão uma boa medida do que todas as nossas livrarias deveriam ser. Durante anos me encantei com livrarias como essa na Inglaterra, no México, na Itália (em algumas das quais participei de lançamentos de traduções dos meus próprios livros), e sempre lamentei que não as tivéssemos aqui. Até que surgiu a Alpharrabio. Lamento morar tão longe, pois do contrário estaria aí todos os dias e certamente em todas essas atividades enriquecedoras do espírito que a Alpharrabio promove.

    Quando eu era estudante do “Américo Brasiliense”, descia a avenida para a estação, onde apanhava o trem para São Caetano. Santo André, como todo o ABC, não tinha livrarias. Na própria avenida havia uma papelaria grande, parte da qual também vendia livros. Mas o cliente era atendido no padrão de papelaria. Não ajudava. Só fui ter o prazer de fazer uma compra de arromba numa grande livraria, e ser tratado como amante de livros, quando ganhei um prêmio em concurso, por ter escrito uma biografia de Américo Brasiliense (hoje essa biografia continua sendo reproduzida pelo antigo Instituto de Educação, mas suprimiram o meu nome sem minha autorização): cinco mil cruzeiros. A condição era a de que eu gastasse tudo em livros. Fui à Livraria Brasiliense, na rua Barão de Itapetininga, e formei a minha biblioteca básica de ciências sociais. Tenho esses livros até hoje. Depois, descobri a Livraria Francesa, cujos livros, como estudante, não podia comprar porque caríssimos.

    Privilegiada, pois, a geração que tem Alpharrabio ao alcance da mão e da mente.

  4. José Luiz de Souza says:

    Alpharrábio, meu querido Alpha. Já está na casa dos quinze? Uauuu, precisamos preparar uma linda valsa, pois foi de música e poesias que você foi construído! Teve uma que eu participei, infelizmente nào foi realizado debaixo de sua casa, mas no saguão do “pudinzão” (Teatro Municipal de Santo André), Lembro-me que comemorávamos oito anos do Grupo Livrespaço de Poesia, muitos dos poetinhas deste grupo lá estavam. Lembro-me que o nosso grupo de teatro foi chamado para “encenar” os pemas, numa breve tentativa, como se isso fosse possível com tanta presteza. Lembro-me, também, de uma cena que ficou em minha memória, eu e o Xexéu (Edmilson Carvalho de Brito, hoje morando na Flórida EEUU), remávamos um barco imaginário formado por poetas! Falaram: “Nossa! Vocês remaram com tanta vontade e força que eu via o barco se mexer!”. Pois é, Alpha, não te acompanhei muito, não estive muito próximo de você nestes quinze anos, mas sempre lembro de você com muito carinho. Concordo que hoje Santo André e o ABC inteiro possuem uma fantástica livraria e editora, com atendimento fantástico há quinze anos! Mas que vào e sempre foram muito além dos livros. Adoro a seção Ler o vídeo, sentir o livro e assistir o disco (existe ainda?) Um grande beijo a todos que constroem o Alpharrábio, “num Ré, num Sol, num Fáféfifofu lascado e gostosso rebuliço dos sentidos”. José Luiz de Souza

  5. Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio says:

    Antes, eu olhava de longe toda a movimentação que a Alpharrabio provocava, e nos meus 15 anos, intrigado e fascinado com esse pessoal que fazia poesia e vivia literatura, imaginava um dia poder ser aceito por essa efervescência. Hoje, depois de 15 anos , é uma alegria poder entrar na livraria não mais apenas visitante ou amante dos livros, mas – quem sabe – como modesto companheiro de caminhada.
    Parabéns!

  6. Hildebrando Pafundi says:

    Conheço a poeta Dalila e o seu Alpharrabio desde os primeiros tempos, como jornalista e como frequentador. Nem é preciso dizer que esse centro cultural, livraria e editora cresceu muito nestes quinze anos, tanto no tamanho como na qualidade. Parabéns a Dalila e sua equipe.

  7. Antonio Possidonio Sampaio says:

    Caríssima Dalila,

    Parece que foi ontem que nasceu o nosso querido Alpharrabio! Quinze anos depois, continuo com o mesmo entusiasmo que tive durante o processo de criação do espaço cultural, em parte registrado no ABC Cotidiano, onde se pode ter notícia das primeiras atividades do espaço cultural, todas descritas com competência e carinho por você e nossa escudeira Luzia Maninha em Alpharrabio l2 anos – uma história em curso.
    Sou um tanto suspeito para falar das pessoas comprometidas com o projeto em curso, pois o fato de ser um apaixonado por tudo que acontece no Alpharrio, certamente não sou isento para proclamar o quanto ele significa em nossas vidas. Já disse e repito que se não fosse o Alpharrabio, minha mudança de São Paulo para Santo André teria sido extremamente difícil. Mas graças à convivência com companheiros que compartilham do mesmo sonho meu, que gostam de ler, conversar, trocar idéias sobre livros, cultivam a literatura e tudo que em torno dela gira, três anos depois da mudança, em l992, quando escrevia o cotidiário ABC Cotidiano, já me confessava um cidadão andreense. Por isso, dediquei o livro à cidade. Nessa caminhada cultural, nos enriquecemos pela convivência com pessoas de todas as posturas possíveis, nos enriquecendo com as divergências, num pluralismo raro. E assim vamos contribuindo para aquele outro mundo possível que se discute em busca de condições dignas de convivência. Estou emocionado ao redigir estas linhas, mas espero confessar melhor duante as discussões que espero aconteçam durante as comemorações do aniversário. E parabéns para todos nós que de alguma forma contribuimos para a criação dessa instituição chamada Alpharrabio.

  8. Constança says:

    O Alpha está de parabéns!!! e todo o grupo que estoicamente e também emocionalmente tem realizado tanto!!
    Um abraço especial à Dalila e à Luzia Maninha , pela garra das duas

    Abraços

  9. rita says:

    Parabéns,
    sou aluna do professor Marcos Sidnei, só conheço o Alpha pela internet mas estou sempre acompanhando, mesmo que de longe, um dia eu apareço !
    Sucesso,
    Rita de Cassia Bottura – SCSul