Orquestra de Violeiros e auditório elástico

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E vai chegando ao seu final a comemoração dos 15 anos do Alpha. Neste sábado (24) deu-se o que se poderia chamar de apoteose, com a apresentação da Orquestra de Violeiros de Mauá. Casa absolutamente cheia (as 60 cadeiras, mais os trinta e tantos músicos da orquestra apinharam-se no pequeno auditório – que parece ser elástico nessas horas – mas o som se fez ouvir em todas as dependências da livraria, brindando aqueles que ficaram do lado de fora). Da Capital vieram o casal de artistas Constança Lucas (parceira sempre presente) e Rogério Gastaldo; de São Luis do Paraitinga, também veio o casal de artistas Célia Barros e Paulo Pacini (para quem ainda não viu, vale a pena uma visita ao Alpha para apreciar a exposição “Biblioteca#2, de Célia), de Taubaté o Engenheiro e professor Edson Wanderley Alves, amigos que a distância geográfica separa mas alma aproxima. Da região, muitos, muitos amigos e aqui seria injusto nomear cada um deles pois correríamos o risco da indelicadeza de omitir alguns. Entre muitas e bem-vindas mensagens eletrônicas recebidas (que aproveitamos para agradecer) com votos de vida longa ao Alpha, a do Sr. Fernando Leça, presidente da Fundação Memorial América Latina, encheu-nos de satisfação e orgulho pelas palavras elogiosas e incentivadoras.
Quanto ao recital da orquestra, que brindou o público presente com jóias do cancioneiro popular de tradição caipira, como Amargurado, de Dino Franco & Tião Carreiro; Mágoa de Boiadeiro, de Nonô Brasílio & Indio Vago; Recordação, de Goiá & Nenete; Chitãozinho e Xororó, de Serrinha & Athos Campos; além das conhecidíssimas Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense e Cuitelinho, do folclore mineiro, recolhida por Paulo Vanzonline & Antonio Xandó, que o auditório, em coro, acompanhou. É comovente constatar o entusiasmo com que esses músicos (operários, donas-de-casa, aposentados), gente simples que deixa seus afazeres cotidianos para dedicar boa parte de seu tempo à música e o faz com alegria contagiante. A destacar os “causos” do “seu” Oswaldo e do sempre bem-humorado João de Deus, que também atua como “percussionista” através do berrante e dos vários apitos com sons de canto de pássaros. Dito isto, é preciso registrar que a orquestra manteve todo esse entusiasmo apesar do ocorrido durante o translado de Mauá a Santo André, verdadeira odisséia. O Sr. Sérgio Pastorelli, responsável pelo agendamento da Orquestra, entrou previamente em contato com a Prefeitura de Mauá, que se comprometeu a ceder um ônibus para transportar os músicos a Santo André. Na hora aprazada, os músicos compareceram ao local combinado e, após esperarem pelo ônibus por quase 1 hora, debaixo de um sol abrasador, e sem qualquer mensagem de desculpas ou explicações vindas da Prefeitura, acabaram recorrendo a amigos e parentes que possuíam veículos próprios. Alguns tomaram 2 ônibus e, ainda assim, chegaram com poucos minutos de atraso à livraria. Apenas alguns poucos ficaram pelo caminho, não resolvendo o problema de transporte. É realmente lamentável constatar a falta de respeito e descaso do poder público com os seus artistas e, neste caso, considerando-se que se trata de um grupo que atua há 16 anos, levando o nome de Mauá a várias outras cidades e que, entre outros feitos, já tocou e gravou um CD com a Orquestra Sinfônica de Santo André. Uma vergonhosa e imperdoável falha.

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Recital findo, os convidados foram para o pátio refrescar a garganta e brindar ao aniversário com um vinhozinho branco gelado. Afinal, como diziam meus anscestrais lusos, tudo está bem quando acaba bem. Sendo assim, encerrando as comemorações, convido a todos para a sessão de gala do cine-clube, comandada pelo prof. Edmundo Dias, na próxima quarta-feira, dia 28, para ver e discutir nada mais, nada menos do que o sempre discutido e enigmático Cidadão Kane, do velho e bom Welles. Até lá. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Orquestra de Violeiros e auditório elástico

  1. Bom dia

    Os violeiros são especiais, gostámos imenso de os conhecer
    Têm um envolvimento musical muito bonito de se ouvir.

    É sempre bom ir até ao Alpha encontramos os amigos de lá, ouvimos boa música, encontramos bons livros, comprei dois de poesia que são ótimos e ainda temos as anfitriãs super simpáticas Dalila e Maninha.

    Que outros 15 anos venham assim cheios de bons eventos culturais!!!!

    abraços fraternos
    Constança