Marx sem estereótipos

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A Primavera friorenta não assustou as cerca de 60 pessoas que vieram ao Alpha na manhã do último sábado para ouvir o Prof. José de Souza Martins discorrer, com a verve e competência de sempre, sobre o tema proposto: O Marx que não era marxista.
Ninguém arredou pé durante as duas horas em que o professor, à luz de sólidos argumentos, recolhidos em quase duas décadas de estudos sistemáticos sobre a obra de Marx, em seminários com seus alunos de pós-graduação da USP, sustentou suas teses.

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O professor iniciou sua fala traçando um panorama da figura humana de Marx que vivia as contradições sociais de sua época, passando pela essência propriamente dita de sua obra, mas também apontando lacunas, como a de que Marx não conseguiu reconhecer nas sociedades camponesas seu papel no capitalismo, bem como a da que aquele pensador não conhecia (ou não se valeu de fontes confiáveis) a realidade do que hoje se chama o terceiro mundo, em especial a América Latina. Fechando a palestra, o Professor analisou a forma “barbarizada” como se “lê” hoje a obra de Marx (“de orelhada”, quase sempre, disse), ou seja, a “vulgarização do pensamento de Marx”, que se vale apenas dos estereótipos, os quais, a “falsa consciência” transforma em discurso messiânico e manual de militância política.
A idéia de passarmos para as manhãs de sábado as atividades que durante muitos anos foram realizadas aos sábados à tarde no Alpharrabio deu certo. Quando a oferta vale a pena, os interessados não se importam em levantar “de madrugada”.
A propósito, no próximo sábado, dia 06.10, um programa diferente deste: o lançamento do livro “pão com bife”, de Fabiano Calixto. Aguardem notícias. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Marx sem estereótipos

  1. Isa says:

    A propósito de Marx, lembro-me de um professor de filisofia que no 1º dia de aulas se apresentou da seguinte forma: ”Sou militar na reserva, católico praticante e nas minhas aulas jamais se estudará Marx.”

    A realçar que a Revolução de Abril tinha dados pequenos passos, a escola estava inserida numa zona considerada “vermelha” e pela 1ª vez os alunos tinham a oportunidade de entre vários autores escolherem 3. Logo, era da “praxe” o Marx vir em 1º lugar.
    Escusado será dizer que logo ali se deu outra “revolução” com o boicote à disciplina que no final se traduziu por valentíssimo e generalizado chumbo.

    Pior que isso, por curiosidade acabei por ler Marx sem qualquer apoio didáctico, não entendi metade e a outra metade ficou muito por esclarecer.