Festa, literatura e sétima arte

Eis um relato sucinto deste agitado fim-de-semana pela bandas do Alpha, pela palavra de uma testemunha ocular:

Hildebrando

Sexta, 26.10, 17h00: o Alpha começa a se movimentar para a festa do lançamento/aniversário de Hildebrando Pafundi que só foi terminar lá por volta das 22h30. Não foram poucos os que vieram à dupla celebração (aniversário e lançamento do livro “Cotidiano e Imaginário do Ano 2000″). Contemporâneos de jornalismo do autor, que completava 68 anos naquela data, como José Marqueiz, Chiquinho Palmério, José Carlos Balladas, entre muitos outros; escritores, como Antonio Possidonio Sampaio, Filadelfo de Souza, Edson Bueno de Camargo, Tônia Ferr, Beth Brith Alvim, José Armando Pereira da Silva, A. G. Melo, Rinaldo Gissoni (em boa e surpreendente forma nos seus 91 anos de idade), Valdecirio Teles Veras. Figuras representativas do mundo da política, tanto à direita quanto à esquerda e ao centro, em flagrantes campanhas pró-convenções partidárias, candidatos a candidatos (O Prefeito, João Avamileno, mandou dizer que vinha, mas não veio – compreensível, visto que deve andar bastante atarefado em meio à notória crise no Paço…). A Vice-Prefeita, Ivete Garcia, mandou flores. A essência da festa foi fraterna, bem ao jeito do aniversariante e autor, unanimidade como ser humano.

CineClube10b

Já no sábado, o filme de Truffaut, Farenheit 451, foi um verdadeiro soco no estômago, igualmente perturbador para os que já o tinham assistido quanto para aqueles que o viam pela vez primeira. Lembro-me que há anos, quando assisti pela primeira vez essa obra prima do realizador francês, a sensação foi a mesma. Há quarenta anos, quando realizada, a fita certamente referenciava a Guerra Fria e, quem sabe, as ditaduras na América Latina, que o futurista e fictício Corpo de Bombeiros, com seu controle totalitário e suas leis arbitrárias, tão bem representa. O visionário Trauffaut anteviu “autos de fé” ideológicos que ao filme viriam a suceder (lembremos que, enquanto a ditadura militar no Brasil, saía à cata de livros “perigosos” aos seus “ideais”, no Portugal pós-25 de Abril, também os chamados “revolucionários” queimaram em praça pública livros que lembravam o regime fascista), extremistas ambos, cerceando, como bem diz nossa amiga Isa, a liberdade de expressão. Assim como Orwell já o fizera antes, também apontava ele para tempos de Big Brothers, como os atuais, sociedade vigiada, asséptica, tecnológica, fútil, sem perspectiva, na qual, os homens-livros, precisam se isolar, por não pertencerem ao status-quo vigente. Sim, em tempos de outras escritas e imagens, são poucos os amantes das letras, cultivadores da utopia da página impressa (“por trás de cada livro há um homem”, conforme o protagonista Montag) e, portanto, obrigados a viver em “florestas”, à margem, sob ameaça permanente de serem condenados à definitiva expulsão das repúblicas e republiquetas às quais pertencem. (dtv)

CineClube10a

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Festa, literatura e sétima arte

  1. isa says:

    “Onde queimarem livros, mais tarde ou mais cedo, o homem também acabará destruído” – Heinrich Heine (1797-1856), poeta alemão.