A festa d´A Cigarra

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Quarta mais do que animada por estas bandas alfarrabistas: muitos vieram prestigiar a festa dos 25 anos de A Cigarra. Jurema Barreto de Souza e Zhô Bertholini, os editores, no papel de anfitriões, recepcionaram as dezenas de convidados que vieram buscar o seu exemplar do belo objeto gráfico em que foi transformado o número 42 da revista, com 58 páginas de muita poesia, depoimentos de colaboradores, artes visuais e, de quebra, um bem elaborado encarte, reproduzindo todas as capas dos números anteriores, desde o primeiro, em mimeógrafo.
Colaborei, ao lado de outros honrosos nomes das letras pátrias, com o seguinte depoimento, publicado à página 17:
Era outro século. Anos ainda de chumbo. Um convite pelo correio, convocava para o lançamento do livro Papoulas & Amnésias, de Jurema Barreto de Souza e José Marinho do Nascimento. Sem conhecer nenhum dos dois jovens poetas, atendi à convocação. A busca por toda e qualquer informação (quase sempre sonegada) nos movia à época. Buscava inteirar-me da produção literária local e descobrir interlocutores. Encontros definitivos. Além dos autores, lá estavam Cláudio Feldman e Katsuko Shishido, com quem, um ano depois, em 1983, viríamos a fundar o Grupo Livrespaço de Poesia.
Impressa em duas folhas de papel sulfite, tamanho A4, A Cigarra circulava pelas mãos dos presentes ao lançamento, compartilhando o clima de euforia de suas editoras: Jurema Barreto de Souza e Terezinha Sávio. A publicação passava, assim, a integrar uma rede subterrânea que, já há algum tempo, tentava subverter, não só através da poesia, como também do espaço dedicado à divulgação de outras publicações do gênero, conhecida como rede alternativa de poesia ou poesia marginal.
Seduzida pelo incansável entusiasmo de seus editores, tenho orgulho de ter colaborado (muitas vezes, à minha revelia) em quase todos os números de A Cigarra, convivendo com uma impressionante e saudável multiplicidade de vozes poéticas, marca registrada da qual sua linha editorial jamais abriu mão. Já no campo visual, as mudanças foram constantes e radicais, desde o mimeógrafo, passando pelo xerox e off-set (já na Era Zhô Bertholini, poeta e artista gráfico, até hoje co-editor) chegando à diagramação digital e sofisticada produção gráfica atual.
A circulação durante 25 anos de uma revista literária dedicada quase que exclusivamente a publicar poesia, contrariando o histórico caráter efêmero das revistas literárias, não pode ser entendida nem justificada apenas pela teimosia de seus editores, como se dá com alguns (poucos) casamentos que chegam às bodas de prata. Talvez o fenômeno possa ser compreendido pela forma passional com que seus editores (e esses casamentos) incorporaram a poesia e a revista (no caso dos casamentos, os cônjuges) como estilo de vida. Saiu ganhando a poesia que pôde contar com essa janela sempre aberta.
Dalila Teles Veras

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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5 Responses to A festa d´A Cigarra

  1. Constança says:

    Oi

    Maninha, cadê as fotos ???

    A Revista ficou uma beleza!!!
    abraços
    Constança

  2. Constança says:

    legal as fotos vieram !!!!!!!!!!!!!!!!!

    O espaço do Alpha é tão bonito que poderia estar mais e mais por aqui, só faz bem a todos olhar os seus cantinhos sempre tão bem fotografados pela Maninha.

    boa semana a todos
    Constança

  3. Isa says:

    Associar a imagem ao texto, neste caso, é também uma forma de enriquecer o conteúdo ou pelo menos torná-lo ainda mais apelativo.

    Devido à distância geográfica, ainda não tive o prazer de conhecer o Alpha. Desta forma, vou confirmando o que até agora só me é permitido imaginar, o que é óptimo.

    Mas permitindo-me a sugestão, tão importante quanto as fotos e face aos eventos que se realizam no Alpha, seria deveras mui interessante ver aqui neste espaço mais comentários sobre mesmos, feitos pela assistência privilegiada.

    Há temas tão interessantes ( estou a lembrar-me por exemplo “A Educação pelo Exemplo” ou “Marx sem estereótipos”) que é uma pena ficarem-se só por isso mesmo e não se alargar num debate além fronteiras.

    Afinal, é para isso que os blogues também servem, certo?!

    Fiquem bem e desculpem qualquer coisita…

  4. Margarita lo Russo says:

    Querida Yurema felicitaciones por los 25 años. Me regocijo en compartir contigo este cumpleaños de La cigarra. Admiro tu perseverancia y el saber que el sueño continúa!!! Margarita

  5. Terezinha Aparecida Sávio says:

    Oi, Ju, tudo bem ?
    Magnífica luta você tem feito em nome da arte e da cultura.
    Fiz parte da Cigarra (bebê), e o melhor foi a convivência com você neste trabalho entre folhas, correspondências, MIMEÓGRAFO e as andanças de motoca para carregar tudo.
    Meu trabalho não permitiu que estivesse presente aos lançamentos, mas você é eterna em meu coração.
    Parabéns ao Zhô também; meus alunos e o mundo precisam de gente com ação assim como vocês com tanta elegância e estilo o fazem.
    Ju, não me esqueci de sua Dama da Noite, e em breve a levarei.
    Saudade,
    Tê Sávio