Batalha brancaleônica

Para aqueles poucos que arriscaram roubar duas horas à rotina da tarde desta quarta-feira e compareceram a mais uma sessão do Cineclube Alpharrabio para assistir ao filme Silent Movie, do diretor americano Mel Brooks (título incompreensivelmente “traduzido” no Brasil para: A Última Loucura de Mel Brooks), o ganho em diversão valeu a pena. Ponto, portanto, mais uma vez, para o nosso coordenador Edmundo Dias, pela feliz escolha.
Trata-se de uma bem humorada sátira ao próprio cinema americano e ao seu apregoado gigantismo em matéria de cifrões e megalomanias. Valendo-se de paródia explícita ao cinema mudo, o diretor consegue, em plena era do cinema em cores e de alta tecnologia (1976), fazer um filme sonoro, mas sem nenhuma espécie de diálogo, utilizando-se apenas de intertítulos para contar a maluca história de um decadente realizador (Mel Funn) que tenta salvar uma produtora com um filme mudo… sim, um filme mudo! Reunindo algumas celebridades da época. O filme é justamente a história do próprio filme. Curiosamente (entre muitos outros lances curiosos), a única palavra pronunciada na fita, em alto e bom som (um NÃO!) vem justamente de um mímico que, até então, jamais pronunciara uma palavra sequer em suas aparições artísticas, o mímico Marcel Marceau.
Ao enfrentar o gigantismo hollywoodiano, o sonhador protagonista metaforiza a resistência da arte diante da indústria cultural, transformando esse enfrentamento em uma “guerra” de um exército brancaleônico de três ingênuos homens (aí, novamente, a paródia aos três patetas) contra um conglomerado (e ridículo) controlador de cifras. É Hollywood ridicularizando hollywood e os seus mitos. É a cultura, sempre, uma batalha brancaleônica. A vida, sempre, a imitar a arte (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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