Quintanares

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O ano dedicado à poesia no Alpha vai cumprindo sua trajetória para além do esperado. A partir da bela exposição de Constança dedicada a poetas portugueses e brasileiros (que aportará no próximo dia 5 de maio na Livraria Cultura do Conjunto Nacional), a poesia tem estado na ordem do dia, prosseguindo com a palestra Por que ler poesia, pelo Tarso de Melo, a discussão sobre o poeta pantaneiro/universal Manoel de Barros e, agora, neste último sábado, 12, outra animada conversa sobre o poeta Mário Quintana, desta feita, uma edição especial do nosso cineclube. A partir de trechos do documentário ‘Quintana anjo poeta’ (reunião dos programas que foram ao ar de fevereiro a agosto de 2006 na RBS), que diga-se, são belíssimos ensaios visuais sobre o o universo de Quintana (Quintanares, como diria o Bandeira, valendo-se de expressão do próprio).

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A tônica em torno da roda da conversa foi a vontade de sair dali para reler o Quintana, poeta muitas vezes incompreendido pela crítica e pelos próprios poetas. A leveza, o humor e a fina ironia de sua poesia, talvez sejam elementos que, equivocadamente, possam remeter a uma leitura de enganosa simplicidade. Nos muitos trechos de entrevistas concedidas pelo poeta, fica patente a sua percepção de poesia (“a poesia não é refúgio, é um aprofundamento da vida”) que o faz comparar o ofício de prático de farmácia (que exerceu por 6 anos, junto à Farmácia de seu pai) com o ofício poético: assim como é preciso pesar com precisão cada elemento químico que irá compor o medicamento, também é preciso pesar a palavra no poema.

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Essas e outras revelações do nosso poeta que talvez tenha recebido a maior consagração em vida (ao menos em sua terra natal, o Rio Grande do Sul, que o ama e cultua, tendo transformado na Casa de Cultura Mário Quintana o hotel Majestic onde morou o poeta durante anos), mostram a seriedade com que o também jornalista e tradutor (traduziu importantes nomes da literatura universal para o nosso idioma, como toda a obra de Proust) encarava o seu ofício. Descatamos aqui uma sua frase que vale para os nossos dias de festas literárias e galanteios mediáticos: “uma coisa é a literatura e outra coisa é a vida literária”. Nós passaremos, ele, passarinho… (dtv) E.T.: faltou sublinhar que as fotos, como sempre, são de autoria de Luzia Maninha.

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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2 Responses to Quintanares

  1. Rosana Chrispim says:

    Quintana é sempre um verdadeiro encontro com a poesia e com a simplicidade. Uma poesia simples, mas não menos rica e imagética. Na poesia e o tenho ao lado de Manoel de Barros: em ambos os casos, estilos inconfundíveis e indispensáveis. Como sempre, gostaria de ter estado aí. Abraços alpharrabianos.

  2. Constança says:

    Mário Quintana tem um lugar próprio no quotidiano do cotidiano.
    Gostei muito também destas fotos.

    abraços
    Constança

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