A semana passada no Alpha, revista

A semana já vai a meio, o mês já é outro, e não escrevi uma linha sequer sobre as duas outras atividades da semana passada, além da reunião do Fórum de Debates Culturais. Para que não fiquem sem registro, aí vai um sucinto relato:
Na quarta-feira, 28.05.08, foi a vez da reunião mensal das quartas do nosso Cineclube, coordenado pelo Edmundo Epifanio. A conversa girou em torno de “Off Screen” de Pieter Kuijpers, para representar a Holanda, já que a proposta deste ano é abordar realizadores de diversos países. A boa escolha de Edmundo, é uma fita baseada em um fato real, ocorrido em março de 2002, alguns meses depois do 11 de setembro em Nova York. Um “maluco” motorista de ônibus, John R., ilustre desconhecido, faz reféns no Rembrandt Tower, em Amsterdã. Motivo? o seqüestrador protesta contra as TVs widescreen e diz que suas imagens escondem códigos. Ele exige falar com Gerard Kleisterlee, o presidente da Philips, “seu amigo”. O trágico final não fornece nenhuma pista que decifre o intrigante personagem e muito menos como “escapou” à Philips, se é que escapou, crítica pública tão contundente acerca de seus produtos e suas supostas “intenções”. Esquisofrênico, louco, solitário, excessivamente lúcido? Como classificar tal personagem? Uma coisa é certa, o filme faz uma inteligente crítica às necessidades criadas pela indústria do consumo e suas consequentes armadilhas, nas quais quase todos nós, por mais “conscientes” que sejamos, vez por outra, caímos. Vale a pena ver (re)ver.

IEncontro310508

Já no sábado, 31 de maio, mais uma rodada do Idéias de Encontro, uma parceria com a Faculdade Editora Nacional – FAENAC. Desta feita, fugindo à regra dos temas filosóficos, históricos e sociológicos, a abordagem foi de cunho literário. O convidado, prof. Alceu Leite Ribeiro, abordou o tema: Diálogos entre os romances “Chiquinho”, do caboverdeano Baltazar Lopes e “O Quinze”, da cearense Rachel de Queiroz. Nem “Chiquinho”, muito menos o seu autor, são conhecidos no Brasil e, pelas informações que tenho, ao que parece apenas uma edição, na década de 80, foi publicada em terras Brasilis. Pelas prateleiras do Alpharrabio jamais passou um exemplar sequer, mas não deixaram de ser, no mínimo, curiosos alguns aspectos da abordagem do professor, que confessou sua paixão pelo romance de Lopes e seu desinteresse estético pelo obra de nossa Rachel, apesar de tê-la estudado. Suas observações são resultado de uma dissertação acadêmica de sua autoria e muitos da platéia saíram dali curiosos, com a firme intenção de empreender busca ao raro romance.
Fica aí o registro, longe do calor da hora, mas, ainda assim, um registro. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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