Chico Buarque e férias coletivas no Alpha

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Neste último sábado, 05.07.08, um encontro especil no Alpha: uma conversa sobre o documentário “Uma Palavra”, da série retrospectiva da obra de Chico Buarque, que trata, com propriedade e inteligência, da relação entre música e literatura nas canções e livros do autor. Gravado em Lisboa (grande parte do documentário), Paris e Budapeste, mostra o artista falando sobre as diferenças entre as duas linguagens e como elas se relacionam em sua obra. Chico fala do ato de criação musical como um ato de “inteligência táctil”, ou seja, ao procurar algo no violão, muitas vezes em cima de um erro, de palavras que aparecem gratuitamente, imagens inesperadas, nasce a criação, verdadeiro jogo de dados, como, aliás, já o disse há 150 anos o poeta moderno e já tão antigo. Diz ainda o artista: “a literatura como processo criativo é diferente do processo da música, há um ritmo diferente. Há palavras que a música aceita e a literatura não”. É Curioso que neste momento ando a ler “A vida de Jayme Ovalle”, uma excelente biografia escrita por Humberto Werneck (Ed. Cosacnaify) e é citado ali um depoimento de Manuel Bandeira que diz mais ou menos a mesma coisa sobre a diferença entre fazer poesia e versos para canções: “nesse ofício (o de escrever texto para melodia) costumo pôr a poesia de lado e a única coisa que procuro achar é as palavras que caiam bem no campasso e no sentimento da melodia. Palavras que, de certo modo, façam corpo com a melodia. Lidas independentemente da musica, não valem nada, tanto que nunca pude aproveitar nenhuma delas.” Será?

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Voltamos a Chico: “duas pessoas convivem em mim: o músico e o escritor, coisa esquizofrênica. Enquanto um dorme o outro fica desperto”, mas confessa que “a minha formação de músico, acaba por marcar a literatura, os personagens são como um tema musical, que tendem a voltar ao tema principal…”. Lições de poesia, lições de literatura, por quem delas entende. Não bastasse a palavra de Chico, valeria por rever as ruas de Lisboa, por onde, em passos apressados, passeia Chico, a elogiar a riqueza da língua portuguesa… legado. A roda formada a seguir, foi de pura “babação”, visto que não havia ninguém ali que não fosse fã confesso do poeta (sim) e escritor (sim) Chico Buarque de Hollanda. Vida longa a esse nosso genial criador, de caráter universal.

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A partir de amanhã, 10 de julho, faremos um breve intervalo (férias coletivas, para retomada de fôlego e renovação de idéias – afinal, de fevereiro até a presente data, promovemos 23 atividades, média de uma por semana, o que, convenhamos, não é pouco, para gente nanica como nós). Reabriremos no próximo dia 21 de julho, no horário normal. Ainda em julho (dia 28, às 19h), encerrando as atividades do semestre, realizaremos mais uma reunião do Fórum Permanente de Debates Culturais do Grande ABC. Agosto já está em gestação. Até lá e boas leituras neste mês de férias de friozinho e clara e convidativa luz solar de inverno com cara de outono. Até lá. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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2 Responses to Chico Buarque e férias coletivas no Alpha

  1. Constança says:

    Lisboa e Chico Buarque combinam
    conheço mal a escrita de Chico Buarque, mas com a música convivo hà quatro décadas e gosto muito muito
    belo acontecimento cultural , fiquei com imensa curiosidade de ver ese documentárip, digam-me onde achá-lo

    abraços

  2. dalila says:

    Olá, Constança,
    Sim, foi uma belo momento cultural. o DVD, ou a caixa, com toda a série, pode ser adquirido:

    http://www.2001video.com.br

    http://www.livrariacultura.com.br

    http://www.livrariasaraiva.com.br

    Abraços
    dalila

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