Falta de notícias por excesso de notícias

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(platéia debate o filme Recife/Sevilha, logo após a exibição do mesmo)

A demora na postagem de novidades não se deve à falta de novidades, muito pelo contrário. Envolvidos que estamos com tantos e tão interessantes acontecimentos culturais, necessário se faz priorizar as escolhas: ou participo ou dou notícias.
Mas antes que o tempo corra ainda mais depressa e os acontecimentos se percam em seus velozes caminhos, vamos ao menos registrar que:

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(imagem do filme Recife/Sevilha, tomada durante a exibição no Alpha)

1) sábado passado, 16.08, João Cabral de Melo Neto passou por aqui, pelas artes de Bebeto Abrantes, no desconcentrante documentário Recife/Sevilha. Ali, um homem alquebrado, com dificuldades de fala, às vésperas da morte, poeta sempre, que apesar da debilidade física ainda era capaz de falar de suas paixões (ainda que mal disfarçadas), levantar-se e sugerir um gesto do toureiro (“geometria e precisão – o único espetáculo em que se morre de verdade”) ou bailarina andaluz (“dançar não é coisa aprendida, / mas o aprender-se cada dia.”), e evocar suas cidades, (a do nascer e a da adoção), Recife (“Hoje embarcou numa mulher. / Recifense, ele a chama barcaça”) e Sevilha (“só em Sevilha o corpo está / com todos os sentidos em riste,”) matéria de memória e poesia. João Cabral, o poeta tão bem definido pela bailarina depoente: “uma vida de sombras e uma obra de luz”.

2) O Fórum Permanente de Cultura representado nas sabatinas com os candidatos à Prefeitura de Santo André, promovidas pela ACISA (Associação Comercial e Industrial de Santo André) nas quais, via de regra, o novo é o anúncio da desconstrução e as aleluias das novas construções, sem se dizer com que serão recheadas. A repitação, a repitação, o discurso velho disfarçado de novo, a mudança para ficar tudo igual. Aqui e ali uma chaminha se acende e… acreditamos.

3) O mesmo Fórum, no último dia 20.08, lado a lado com os Secretários(as) e/ou diretores e assesores de cultura das 7 cidades, no Teatro Municipal de Mauá, durante o IV Seminário Integrado de Educação e Cultura, em reunião aberta do GT Cultura do Consórcio Intermunciipal de Prefeitos. Inédita caminhada rumo a uma efetiva ação integrada na regionalização da cultura das 7 cidades. Ali, os contrastes gritantes (Rio Grande da Serra, 50 mil habitantes, com dois funcionários para o setor de cultura, Ribeirão Pires com 4 e Santo André, quase 700 mil habitantes, mais de 400 funcionários, incluindo aí Turismo, Esportes e Lazer). Como bem o disse a Secretária de Santo André, Simone Zárate “somos tão iguais e tão diferentes”… Será preciso a cooperação dos maiores com os menores e o GT certamente se encarregará de provocar ações nesse sentido. Ainda tive a sorte de assistir, logo a seguir, à palestra do poeta Álvaro Alves de Faria sobre Solano Trindade. Tornei-me amiga do Álvaro quando ainda adolescentes e acompanho sua brilhante trajetória poética e jornalistíca de verdadeiro homem de letras que já se projetou para além das fronteiras brasileiras, com inúmeros livros publicados em Portugal e Espanha. Encontro de afinidades eletivas literárias e afeto. Com tudo isso, entretanto, perdi a oportunidade de ver/ouvir o mestre Antonio Candido na cerimônia de entrega do Prêmio Intelectual do Ano, o Juca Pato, que lhe foi outorgado pela UBE, na velha Faculdade do largo de São Francisco – Paciência… ainda não descobri a capacidade da onipresença.

4) No dia 21 e 22, esta escriba, a convite do poeta e professor José Marinho do Nascimento, ministrou a palestra “Da poeta e da poesia: minhas inquietações”, na Semana de Letras/2008, no Centro Universitário Fundação Santo André. Como as inquietações são muitas, acabaram caminhando pari-passo ao lado da própria poesia, encontrando eco nos jovens ali presentes. Sinal de que a poesia não está ainda banida do repertório dos jovens e o PCI (Partidos dos Cidadãos Indignados) está ativo também entre entre eles. Viva!

Hoje, sábado, pela manhã no Alpha, bem… hoje foi um capítulo à parte, muito especial, que merece ser detalhado com mais vagar (e o será), mas neste momento a velha carcaça da escriba, de tão cansada, recusa-se a teclar, assim como a mente, igualmente alquebrada, inicia a ratear. Ah! e ainda perdi, agora à tarde, a conversa entre as artistas Constança Lucas e Renata Gonçalves, lá na Graphias, em Sampa, onde elas comparecem com uma imperdível exposição de gravuras, desenhos e livros de artista (digo, asseguro e assino que as obras devem ser apreciadas, compradas, guardadas, porque estive lá na abertura, degustando – arte pura). (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Falta de notícias por excesso de notícias

  1. isa says:

    A falta de legendas das fotos, numa postagem com tantas notícias, não permite identificar, com certeza, a que evento corresponde a 1ª foto.

    Se noutros eventos isso será importante, (associar um rosto à prosa permite-nos ultrapassar barreiras virtuais e acabamos por estar mais perto do evento) neste a importância está devidamente assinalada com uma seta vermelha na parede. Representação perfeita do ditado: “De pequenino é que se torce o pepino”.

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