Coleção Ponte Velha

PV PonteVelha

Escrituras Editora publica 7 novos livros da
Coleção Ponte Velha na Bienal do Livro do Ceará

A Escrituras Editora, dentro da Coleção Ponte Velha, edição apoiada pelo Ministério da Cultura de Portugal e pela Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas (DGLB), publica sete novos livros na 8a Bienal Internacional do Livro do Ceará, com a presença de seis de seus autores (4 portugueses, 1 moçambicano e 1 caboverdense). A Coleção foi criada por Carlos Nejar (Brasil), poeta, ficcionista e crítico, membro da Academia Brasileira de Letras e pelo poeta António Osório (Portugal) e conta com a organização de Floriano Martins, também curador da Bienal do Ceará. Conheça todos os títulos em www.escrituras.com.br/colecoes.php

Logo abaixo, as sinopses dos sete lançamentos:

PV Retratos

Retratos falhados

Todos os textos deste volume são posteriores À janela dos dias, livro publicado em 2002 que reúne os títulos anteriores de Dalila Teles Veras, na área de poesia. Retratos falhados reúne três plaquetes (Vestígios, 2003; Solilóquios, 2005; e Pecados, 2006) publicadas pela Alpharrabio Edições (Santo André, SP). A elas junta-se um conjunto inédito de poemas em prosa, que dá título ao livro, e uma seleção de poemas, publicados esparsamente em jornais e revistas, denominada Espelhos.

Na escolha dos poemas, a autora teve a preocupação de estabelecer um conjunto de textos que, mesmo escritos em momentos diferentes, com eventuais dissonâncias, pudessem travar um diálogo entre si, formando uma peça que represente boa parte da sua produção poética nos últimos seis anos. Retratos falhados traz desenhos da artista portuguesa Constança Lucas (Coimbra, 1960), há várias décadas residente em São Paulo, onde desenvolve seu trabalho como artista visual.

Sobre a autora:
Dalila (Isabel Agrela) Teles Veras nasceu em Funchal, Ilha da Madeira, Portugal (1946), mas vive no Brasil desde 1957. Autora de diversos livros, nos gêneros poesia, crônica e “Minudências”, um diário literário do ano de 1999. Colabora regularmente em jornais e revistas do Brasil e exterior. É filiada à União Brasileira de Escritores (SP), entidade em que ocupou os cargos de secretária geral, diretora e membro do Conselho, nas gestões de 1986/88, 1990/92 e 1994/96. Vice-presidente do Instituto de Estudos Fernando Pessoa, em São Paulo. Co-fundadora do Grupo Livrespaço de Poesia (1983-1994) de intensa atuação na divulgação da poesia e co-editora da revista literária Livrespaço, ganhadora do Prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte, como melhor realização cultural de 1993. Animadora cultural, há décadas colabora na organização de cursos, seminários e congressos. É freqüentemente convidada a proferir palestras e debates em instituições culturais e de ensino, além de criar projetos literários, ciclo de debates, exposições e mesas redondas. Desde 1992, é diretora-proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora, em Santo André (SP), referência cultural na região do Grande ABC. Desde 2006 assina o blog http://blog.alpharrabio.com.br, “um caderno de registros, apropriações, inquietudes, intervenções” que reflete a “atmosfera” cultural do Centro Cultural Alpharrabio e seu entorno. Em 2000, foi agraciada pela Revista Livre Mercado com o Prêmio Desempenho de Empreendedora Cultural. Em 2004, a Câmara Municipal de Santo André outorgou-lhe o título de Cidadã Honorária.

Título: Retratos falhados
Autora: Dalila Teles Veras
Artista convidada: Constança Lucas
Nº de páginas: 120
Preço: R$ 25,00

PV OossoConcavo

O osso côncavo e outros poemas

Luís Carlos Patraquim reúne em O osso côncavo e outros poemas (1980-2004), simultaneamente título de um novo volume de poemas, e desta antologia pessoal, grande parte dos seus poemas, publicados anteriormente em Monção (1980), A inadiável viagem (1985), Vinte e tal novas formulações e Uma elegia carnívora (1991), Mariscando luas (1992) e Lidemburgo Blues (1997).
O poeta é uma das vozes mais inovadoras da nova poesia moçambicana, que se revela logo no início da década de oitenta, demarcando-se da temática geral da exaltação ideológica. Uma opção de escrita, e de um percurso intertextualizado em outros textos da poesia moçambicana, que distinta e originalmente se destaca pela procura de um itinerário próprio, alicerçado em propostas anteriores, reformulando-as, e que inaugura diferentes vertentes para a lírica moçambicana.
Patraquim, afinal, resume e ressuma, reabsorve e retrabalha na sua aventura poética (e a metáfora do trajeto percorre desde o início os títulos dos seus livros) a dívida doada por vozes poéticas anteriores, captando a “intermitência dos sons” que invadem o seu registro de escrita. Talvez não seja excessivo afirmar que o autor funda, de certa maneira, uma tradição poética na qual, e pela qual, se faz coletor de sinais, versos, títulos, obsessões, afetos, estilos, tendências, desencontros, reinscritos no seu enunciado que, em amálgama, denuncia a “formulação”, de um diverso legado, cuja herança conflui nos seus poemas em estreitas “correspondências”, na acepção baudelairiana.

Sobre o autor:
Luís Carlos Patraquim nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo), Moçambique, em 1953. Colaborador do jornal A Voz de Moçambique, refugia-se na Suécia em 1973. Regressa ao país em janeiro de 1975 integrando os quadros do jornal A Tribuna. Membro do núcleo fundador da AIM (Agência de Informação de Moçambique) e do Instituto Nacional de Cinema (INC) onde se mantém, de 1977 a 1986, como roteirista/argumentista e redator principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema. Criador e coordenador da Gazeta de Artes e Letras (1984/86) da revista Tempo. Desde 1986 residente em Portugal, colabora na imprensa moçambicana e portuguesa, em roteiros para cinema e escreve para teatro. Foi consultor para a Lusofonia do programa Acontece, de Carlos Pinto Coelho e é comentarista na RDP-África. Publicou Monção (1980); A inadiável viagem (1985); Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora (1992); Mariscando luas (1992), em parceria com Chichorro e Ana Mafalda Leite; Lidemburgo Blues (1997) e O osso côncavo, 2005. Foi distinguido com o Prêmio Nacional de Poesia, Moçambique, em 1995.

Título: O osso côncavo e outros poemas
Autor: Luís Carlos Patraquim
Artista convidado: Fernando Pacheco
Nº de páginas: 176
Preço: R$ 29,50

PV Lisbon

Lisbon Blues

Este livro reúne dois títulos de José Luiz Tavares e o posfácio apresenta ensaio de José Luís Hopffer C. Almada (Cabo Verde, 1960), poeta e editor, já com destacada presença no meio editorial de seu país.

No poeta José Luiz Tavares, como em poucos poetas contemporâneos de língua portuguesa, é flagrante a irrupção de novos paradigmas mediante o primacial recurso à reinvenção da linguagem.
O já relativamente longo percurso literário de Tavares tem o seu ponto de partida no Liceu Domingos Ramos da Praia, onde co-fundou e dirigiu a folha juvenil Aurora (de iniciação às lides literárias), no já longínquo ano de 1987. Então “aprendiz de poeta e de ficcionista”, embebido de insaciável curiosidade intelectual e em pleno processo de maturação criativa, Tavares foi freqüentador regular das tertúlias literárias que, por essa altura, pululavam entre os jovens revelados dos anos oitenta na cidade da Praia.
Apaixonado cultor de poesia, insaciável na busca do novo na linguagem e na perscrutação do insondável para além do real cotidiano, municiado com os conhecimentos da técnica do verso, da tradição poética e da poesia contemporânea lusógrafas, da teoria da literatura e da filosofia que a formação universitária e um trabalho cotidiano, persistente, as leituras, múltiplas e transpirantes, José Luiz Tavares propôs-se ser um partícipe ativo e fecundo na invenção de um dizer novo, não só na poesia caboverdiana, como também em toda a poesia de língua portuguesa.

Sobre o autor:
José Luiz Tavares nasceu em Cabo Verde, em 10 de junho de 1967, mas reside em Portugal, onde estudou Literatura e Filosofia e onde escreve poesia. Com o livro Paraíso Apagado por um Trovão conquistou o prestigiado Prêmio Mário António – poesia 2004, da Fundação Calouste Gulbenkian, juntamente com a poeta angolana Ana Tavares. Tendo como grande referência o brasileiro João Cabral de Melo Neto, um dos grandes poetas da Língua Portuguesa, José Luís Tavares confessa que trata a escrita com o rigor matemático, como uma arte cujo produto acabado depende de apetrechos técnicos. “Não se trata apenas de inspiração, sonho ou do estado de espírito, mas também de habilidades que se desenvolve com a prática”, frisa o poeta comparando a arte da escrita com a arte de pintar ou de esculpir. “As palavras são meus instrumentos de trabalho para pintar ou esculpir o meu pensamento através de parâmetros técnicos, com recurso à teoria e à metodologia”, sublinhou.

Título: Lisbon Blues
Autor: José Luiz Tavares
Artista convidado: Fernando Pacheco
Nº de páginas: 208
Preço: R$ 32,00

PV Diario

Diário Flagrante

A história do Surrealismo em Portugal é ainda um território aberto à descoberta e às surpresas. Um território parcialmente inexplorado onde podemos encontrar, junto a alguns protagonistas já universalmente conhecidos, outros que estão pedindo ainda uma urgente reavaliação ou recuperação e alguns quase que uma verdadeira ressurreição em parte por ter ficado à sombra dos “vultos maiores” mas também por se terem afastado do mundo literário ou artístico (ou pelo menos da face mais pública e espetacular desse mundo), como foi o caso de um Risques Pereira ou o do poeta que aqui e agora celebramos publicando a sua obra poética: Fernando Alves dos Santos (1928-1992), de quem pouco se soube exceto a sua dedicação preferente à atividade teatral e à sua participação em alguns dos episódios da aventura surrealista nos seus primeiros momentos de afirmação e intervenção polêmica e em alguma das exposições que posteriormente tentariam recuperar momentos ou aspectos particulares daquela intervenção mais com um propósito de renovada provocação do que com os objetivos e os métodos do historiador e do arqueólogo.
Este livro inclui toda a poesia de Fernando Alves dos Santos (1928-1992) e obedece quase integralmente o planejamento definido por Perfecto E. Cuadrado para a edição homônima da Assírio & Alvim (Lisboa, 2005). Nesta edição já se incluía um livro deixado inédito por Fernando Alves dos Santos, De palavra a palavra, cujos originais datilografados haviam sido por ele entregues a Mario Cesariny de Vasconcelos, em 1988, para que o amigo tratasse de editá-lo, o que acabou não sendo possível. A presente edição inclui uma tradução de Cláudio Willer para o poema “Ma Maison de ma nuit de lumière”, originalmente escrito em francês.

Sobre o autor:
Fernando Alves dos Santos nasceu em Lisboa, em 1928 e faleceu em Albufeira, em 1992. Poeta dedicado ao teatro, participou no movimento surrealista quando este principiava a sua afirmação. Sua poesia foi editada em antologias, revistas e catálogos e em dois livros, um deles o Diário Flagrante (Ed. Assírio & Alvim). No entanto, é sabido que muita da poesia de Fernando Alves dos Santos permanece inédita.

Título: Diário Flagrante
Autor: Fernando Alves dos Santos
Artista convidado: Fred Svendsen
Nº de páginas: 144
Preço: R$ 28,00

PV Corpo

Corpo insurrecto e outros poemas

Quando publicou seu primeiro livro, A Noite Vertebrada, em 1960, Luiza Neto Jorge não podia saber que a poesia portuguesa se aproximava de um momento de cintilação muito particular, que passaria por uma fortíssima consolidação das grandes linhas fundadoras da poesia moderna. E menos ainda poderia supor o quanto ela própria viria a ter, neste contexto, um papel de inquestionável relevo.
Poucos poetas terão explorado tão eficazmente quanto a Luiza Neto Jorge o fato de a irredutibilidade do discurso poético constituir uma forma de resistência à ordem que se inscreve na língua comum. Sua poesia sempre procurou inscrever na própria língua, que subordina a uma nova gramática, a voz da insurreição, sendo, em todos os momentos, dinamitadora das evidências e do senso comum. Sendo, na expressão da poetisa, “um traço de alarme”.

Sobre a autora:
Luiza Neto Jorge (1939-1989) nasceu em Lisboa, em 10 de maio de 1939. Em outubro de 1957, ingressa no curso de Filologia Românica da Faculdade de Letras de Lisboa, que seguiria até 1961, quando interrompe para ir lecionar no Liceu de Faro, no ano letivo de 1961-1962. Em 1960 sai na coleção A Palavra, de Faro, o seu primeiro conjunto de poemas, a plaquete A Noite Vertebrada, e, no ano seguinte, participa em Poesia 61, com Quarta Dimensão. Em 1973, publica uma antologia de toda a sua poesia, intitulada Os Sítios Sitiados, na qual inclui algumas seções inéditas e o poema, que tivera já uma edição autônoma, ilustrada pelo pintor Jorge Martins, O Ciclópico Acto (1972). No início da década de 1980 é produzido para a RTP (série Artes e Letras) e realizado por João Roque um filme de cerca de quinze minutos, em que Luiza Neto Jorge é entrevistada e lê o poema “Fractura”, escrito em 1980 e dedicado ao pintor José Escada. Faleceu em 23 de fevereiro de 1989. Em 1993, sai em edição organizada por Fernando Cabral Martins, o volume Poesia, onde se encontra reunida toda a sua obra poética (Assíria & Alvim, Lisboa, 2001).

Título: Corpo insurrecto e outros poemas
Autora: Luiza Neto Jorge
Artista convidado: Valdiney Souza Suzart
Prólogo: Rosa Maria Martelo
Nº de páginas: 144
Preço: R$ 28,00

PV Penumbra

Uso de penumbra

Uso de Penumbra é uma súmula poética, originalmente publicado em 1995, em Portugal, quando ganhou o Prêmio Complementar Eça de Queirós da Câmara Municipal de Lisboa, sendo talvez um dos livros de Fernando Echevarría mais longamente meditados.
A obra organiza-se em torno de núcleos temáticos fundamentais: a pintura, o desenho, a escultura, a dança, a música e a própria poesia, o que significa que a matéria do livro é a arte. Assim, a questão que de imediato se coloca é a de saber como se estabelece a relação da poesia com as outras artes e de que modo os diversos referentes artísticos, passando a ser objetos de uma arte verbal, desencadeiam uma experiência estética de segundo grau.
Daí que, em Uso de Penumbra, o leitor experimenta a sensação de estar perante um livro onde a tensão intrínseca entre a luz e a sombra, ou o excesso e a carência, se resolve numa espécie de transparência enigmática, em imagens analógicas de potencial abstrato. Recusando a paráfrase, cada poema procura retirar do claro-escuro dos objetos contemplados um sentido alusivo, plural, indissociável da sua estrutura.
Uso de Penumbra é um livro de uma beleza lúcida e enigmática, onde as coisas nomeadas só existem como signos da profundidade misteriosa de que emergiram. Na sua transparência, a linguagem poética infunde uma verdade que nos excede e que é, por isso mesmo, sublime.

Sobre o autor:
Fernando Echeverría nasceu em 1929. Cursou humanidades em Portugal, Filosofia e Teologia em Espanha. Exilado em Paris desde 1961, partiu para Argel em 1963, regressando àquela cidade em meados de 1966. Aí reside desde então. Tem publicadas várias obras poéticas: Entre Dois Anjos (1956), Tréguas para o Amor (1958), Sobre as Horas (1963), Fenomenologia (1984), Sobre os Mortos (1991), Uso de Penumbra (1995).

Título: Uso de penumbra
Autor: Fernando Echevarría
Prefácio: Maria João Reynaud
Artista convidado: Zé da Rocha
Nº de páginas: 176
Preço: R$29,50

PV Ocanto

O canto do vento nos ciprestes

Este livro é o exemplo vivo da lírica da poesia de Portugal. Um canto de amor, sentido e tantas vezes doloroso, mas que deixa antever o brilho de um poema de fina elaboração, do poema que vem da alma.
Maria do Rosário oferece ao leitor brasileiro uma poesia contagiante e também comovente. Uma poesia que lhe cabe na vida, com um apelo poético consistente, de verdadeira poesia, de brilho intenso a nos dizer que, afinal, nem tudo se perdeu. Ainda existe poesia.

Sobre a autora:
Maria do Rosário Pedreira nasceu em Lisboa, em 1959, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade de Lisboa (1981), foi também professora de Português e Francês, atividade que a influenciou decisivamente no sentido do assumir uma escrita para um público jovem. Como escritora, tem já publicados vários trabalhos de ficção, poesia, ensaio, crônicas e literatura juvenil, procurando neste último gênero a transmissão de valores humanos e culturais.

Título: O canto do vento nos ciprestes
Autora: Maria do Rosário Pedreira
Coleção: Ponte Velha
Texto das orelhas: Álvaro Alves de Faria
Nº de páginas: 80
Preço: R$ 24,00

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2 Responses to Coleção Ponte Velha

  1. partilhar a poesia com a Dalila tem sido um prazer
    grande abraço
    Constança

  2. Margarita Lo Russo says:

    De soslayo y como quien mira por el ojo de una cerradura asistí al último momento del parto (gráfico) de “retratos falhados”, hoy recibo la noticia de su lanzamiento, auguro a este “nuevo” misterio del hombre que es la creación poética éxitos. Te envío un fuerte abrazo amiga querida.
    Margarita