Dança das cadeiras: algumas preocupações

O Alpha está plantado há 17 anos numa região-país (a do Grande ABC – SP) que nem sempre se dá conta de seus estonteantes números:

- População estimada (7 municípios): 2,6 milhões de habitantes
- 6 Montadoras de Automóveis
- 11 empresas de química fina e refinaria (Pólo Petroquímico)
- 10.000 indústrias diversificadas
- 44.000 empresas de serviços (autopeças, metalmecânico, plástico, cosméticos, etc.)
- 32.000 empresas de comércio
- 620 empresas exportadoras
- PIB de 26 bilhões de dólares

É natural que os governantes (quase sempre) nas suas políticas públicas, se pautem (e curvem) pela área econômica em detrimento de outros eixos à altura (e total prioridade, como a educação, a saúde e a cultura) de toda essa pujança.

Neste momento de troca de cadeiras e retomada de outras, a expectativa (e a preocupação) torna-se grande em relação aos próximos 4 anos, em especial no que tange à questão da regionalidade.

A propósito, transcrevo um trecho de meu ensaio publicado no volume 2 de Nosso Século XXI (Editora Livre Mercado, 2008):
A idéia de regionalidade não está posta nos discursos da maioria de nossas lideranças políticas, muito menos praticada. A idéia paroquial e passadista de que pensar regionalmente pode levar a ignorar a sua própria cidade ainda ocupa as mentes dos que comandam as administrações públicas locais. Entre os gregos, bárbaros eram os que não falavam a sua língua. Entre nós, deste pobre subúrbio chamado Grande ABC, que na sua forma substantivada também pode significar “alfabeto”, todo aquele que está fora da restrita esfera de poder municipal é considerado “estrangeiro”. Como, então, integrar cidades que falam sete diferentes “línguas” e se isolam dentro das respectivas fronteiras?

Este será, portanto, o grande desafio: como fazer com que instâncias de governabilidade regional como Consórcio Intermunicipal e Câmara Regional busquem ações e soluções, de forma integrada, para problemas comuns?

No entanto, na dança das cadeiras, o que se vê é a contemplação de apadrinhados políticos (“fulano ajudou muito na campanha, nada mais justo do que contemplá-lo com uma secretariazinha”), jogos de interesses e conjeturas (já?!!) sobre quem será quem daqui a 2 anos no próximo pleito. Discursos que não saíram do palanque, a generalização e tentativa de persuadir a esconder a ausência de políticas públicas claras e desejáveis.

É hora da inteligência regional fazer-se crítica e mais atuante. Mais do que nunca é preciso fazer com que as forças “não políticas”, a “força moral” de que falava Croce, se contraponham às questões meramente partidárias.

O Fórum Permanente de Debates Culturais, ativo desde novembro de 2007, retomará suas atividades no próximo dia 26 de janeiro, como sempre, às 19h00 nas dependências da Livraria Alpharrabio. Os interessados estão, desde já, convidados. (dtv).

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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