Poesia, diários, blogs, agenda – conversas

Os poetas Zhô Bentholini e Jurema Barreto de Souza, editores da revista A Cigarra, passaram a tarde na livraria. Muita conversa e mais duas datas fechadas na agenda da programação Alpharrabio que, aliás, já se encontra praticamente fechada para os meses de fevereiro, março e abril próximos.
Assim, nos dias 13 e 14 de março a Livraria abrigará diversas manifestações poéticas alusivas ao Dia Nacional da Poesia, comemorado a 14 de março. Lançamentos, leituras, vídeos, CDs e conversas entre poetas. A dupla coordenadora está animada e já lança mãos à obra a partir de agora.
Junta-se à conversa e ao café o romancista Antonio Possidonio Sampaio que retorna da Bahia, seu estado natal. Foi acompanhar o balanço e as estratégias para a próxima programação do Centro Cultural que leva seu nome na cidade de Iaçu. Lembrou de nossa conversa anterior à sua viagem, de que é preciso rever os acontecimentos de 1999 neste 2009, 10 anos depois. Foi nesse ano de excepcional atividade cultural que mais de uma dezena de escritores registrou em forma de diários o cotidiano na região do Grande ABC. Possidonio foi o autor da idéia e agora também se propõe a registrar o cotidiano de outra maneira. Entusiasmado com este blog e outras iniciativas do gênero, diz que também enfrentará o desafio cibernético e se alistará no time de bloggueiros. Viva o entusiasmo setentão! (dtv)
Importante ressaltar que estas conversas não são previamente agendadas. São visitas espontâneas, como sempre foram. As pessoas chegam, conversam, trocam idéias e os projetos surgem e vamos fechando a agenda da programação.

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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4 Responses to Poesia, diários, blogs, agenda – conversas

  1. Blogar é como um coral :) muitas vozes

    Possidónio com seu humor poderá dar-nos intensas histórias

    abraços
    Constança

  2. Nathália says:

    Olá, peço que, se possível, divulgue o site do poeta Ulisses Tavares (www.ulissestavares.com.br) em seu blog.
    Mandando um email para nós você concorre a um livro por semana do escritor!
    Desde já agradeço a gentileza.

    Abraços!

  3. Jurema Barreto de Souza says:

    Dalila, Pois é, tomei vergonha e naveguei pelo seu site, pelo blog e pelo site do Alpha. Haja fôlego menina. Pois é, como a gente não pode fazer (e vender) livros aos milhões, embora seja muito mais instigante, vamos usar e abusar dos canais virtuais para atingir o leitor.Um poema e um livro são sempre novos para quem não os leu, então mãos à obra.Seus textos são ótimos. Algumas vezes temo soltar meus bichos, porque escrever dói, mas, como diria a Francis, se a gente não sofrer a gente não escreve. Beijão. Jurema”

  4. Deus queria Manoel

    “Poesia é voar fora da asa”
    Manoel de Barros

    Os nomes foram secando no quaradouro abissal, virando palavras alvas, limpas do suor de Deus.
    Caladas na espatifação das pedras repisadas,
    rumores no estômago dos trovões
    ou lacustres,
    quando repetiam em círculos crescentes a sintaxe das coisas nominadas.

    Deus queria soprar os delírios do verbo no ventre da mulher
    que parisse Manoel
    e assim ordenou que fosse feito:

    - Revele-se a Manoel a inquietação das palavras e que lhe seja permitido desinventá-las, até que não reste nome sem descomeço, nem dentro nem fora nem em cima nem em baixo nem antes nem depois da onisciência.

    Manoel lagartixa espiava tudo de olho encapado.
    De nome não carecia. Nem de Deus carecia.
    Piscava o mundo revirando em bolhas.
    Reslumbres no escuro das palavras uterinas.

    Quando veio ao mundo chamou de fogaréu a cara incendiada da parteira.
    De fome chamou o peito túrgido. De vida
    voltar, se desfazendo em nadas.

    Tanta coisa desnomeada Manoel achou no mundo que deu para refazer o batismo de Deus.

    Então foi sendo o poeta Manoel de Barros, podendo dar às pedras costume de flor e se quisesse achar a palavra abelha era só abrir a palavra abelha e entrar dentro dela, descobrir parecença,
    untá-la no mel que nem Ele conhecia.

    Era o poeta Manoel de Barros que Deus queria!

    Amaral Cavalcante