Cidades, Sete

Silvia1

Para Sílvia Helena Passarelli (extensivo aos seus colegas de investigação científica), esta memória poética de sua poética palestra, na manhã do último sábado no Alpha, plena de cumplicidades (dalila teles veras):

Cidades, sete

Artérias que separam e (re)unem
rappers ao telefone alardeiam poesia
palavra que lê a cidade-labirinto
versos a cantar os passos
pés, ágeis
a dançar em marcha-a-ré
contornando viadutos
à busca de caminhos (outros caminhos)
Versos a cantar os passos em volta
como já disse o poeta
passos que vão e voltam
à busca da gênese da própria formação
Pés que desviam do lixo e pisam em tapetes
correm dos automóveis
humanos seres a pisar
rios invisíveis
a (re)conhecer a cidade
Cidades
cantos obscuros fotografados,
desenhados, descritos, anotados:
aposentados jogam dominó na praça
indiferentes e alheios, matam o tempo que os mata
abstração dos ruídos urbanos, música de fundo
dominó que (re)liga, liga
bordas de um campo que já não há
o trem que já pouco transporta
trilhos que apodrecem e lembram
dominó permanentemente embaralhado
o centro com as marcas do subúrbio
Cidades
pelas lentes da arte redesenhadas
arte-móvel que vê e anota:
o churrasquinho grego na estação
os homens-placas – pixação ambulante
as saídas-entradas
os becos sem saída
as vilas onde já ninguém habita
catracas por onde a vida passa
E trava
E segue

Silvia02

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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2 Responses to Cidades, Sete

  1. Silvia Helena Passarelli says:

    Dalila,
    obrigada pela oportunidade de divulgar nosso trabalho no Alpharrabio: pelas suas palavras neste blog, parece que conquistamos um público que realmente entendeu o significado da pesquisa 7Cidades e fez, junto com os vários participantes da pesquisa, a viagem perceptiva pelas ruas. Agora, é só esperar que consigamos ser ouvidos por outros públicos. E já vou avisando: vou usar o poema em meus próximos textos e artigos. Adorei!

  2. Sílvia,
    Fique à vontade (será uma honra), pois um poema (se é que este o é, nem sequer lhe dei o tempo necessário para ser transformado em literatura) não pertence a quem o escreve, mas a quem dele possa fazer bom uso.
    dalila

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