É quente quando a luz te traz – breve registro

“É um bolinho que eu faço. Que eu fiz, caso você tivesse vontade de experimentar”

“É de quem já ficou triste demais e reconhece a beleza que salva da tristeza completa”

“Eu tenho medo que a gente só esteja fazendo um ao outro mais triste”

“Tem tristeza que não tem fim. Igual a alguns tipos de solidão. São da gente, não do mundo”

São essas frases e muitas outras que o público vai lendo à entrada do espetáculo, enquanto saboreia um delicioso bolo de fubá, ofertado à sua chegada. Impressas em tirinhas de papel, essas frases foram “encontradas” dentro do papel alumínio onde os bocadinhos do bolo estavam embrulhados e são a senha para o “clima” da peça.

Ao lado da bandeja com o bolo, um bloco de papel e um convite impresso: escreva aqui a sua definição para tristeza (ninguém escreveu – verbalizar um sentimento tão reles como tristeza, assusta).

Quando o público toma assento, em cena aberta, o espetáculo já começou e sabe-se que, ali, se tratará de tristeza, um sentimento na contramão de uma sociedade que apregua e vende felicidade a metro, como único e válido sentimento do ser humano. (dtv)

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to É quente quando a luz te traz – breve registro

  1. Infelizmente não pude estar nesta estréia, saboreando bolo com ares de tristeza.
    Os mais romanticos dizem que a tristeza é musa das obras mais relevantes e belas.
    Eu tenho pra mim que ela só serve pra que não deixemos de aproveitar as felicidades, por menores e mais breves que elas sejam.
    Muita merda pra esse espetáculo!