Philadelpho Braz – saudade

Philadelpho Braz (29.7.1926 – 17.11.2009) foi um operário num tempo em que havia trabalho.
Philadelpho foi um memorialista num tempo em que memórias são fabricadas na mesma velocidade em que são destruídas.
Philadelpho permaneceu um verdadeiro idealista, num tempo que não admite mais ideais.
Philadelpho foi um homem de cultura, num tempo de especialistas e bem informados sem conhecimento.
Philadelpho foi um gentil e elegante homem, em meio a tantas rudezas e grosserias.
Philadelpho foi uma verdadeira personalidade do ABC.

Tive a honra e o privilégio de ser sua amiga e com ele conviver ao longo de 3 décadas. Tenho em meus arquivos memórias desses anos. Em 1990, gravei uma entrevista com ele, com a finalidade de obter subsídio para a pesquisa que eu e a fotógrafa Cibele Aragão empreendíamos e que resultaria em “O Trabalho, um olhar poético”, ensaio fotográfico de Cibele, acompanhado de poemas meus. Ali, deu-se a certeza de que estava diante de um homem invulgar, com uma invejável trajetória de militância sindical e política.
Eram tempos heróicos, alguns obscuros. Philadelpho enfrentou prisões e clandestinidade.

(Para saber mais sobre sua trajetória, ver o depoimento de PB ao Museu da Pessoa )

Phila 01
(Philadelpho no Alpha em 11.11.2002, quando participou do debate ABC do Brasil – Registro da Caminhada Operária, ao lado de Luís Flávio Rainho e Antonio Possidonio Sampaio, colaborando na elaboração da “Carta Alpharrabio“.)

Colaborador precioso e constante do Alpharrabio, sempre com contribuições ao debate de idéias, assim como colaborador de inúmeros estudiosos e pesquisadores, testemunhando um tempo de lutas verdadeiras, cujo objetivo maior era o ideal do bem comum.

Phila 02
(Philadelpho no Alpha, ao lado de João Jorge Amado, na inauguração da escultura de Ricardo Amadasi, retratando Jorge Amado, quando leu trechos da obra Os Subterrâneos da Liberdade. É dele esta fala: “Sempre fui interessado em literatura, mas Jorge Amado para mim é o primeiro, porque é uma literatura interativa. Quem lê Jorge Amado é sempre o último personagem do livro, porque se integra no livro e quem o traz para dentro é o própiro escritor“)

Phila2002 3p

Philadelpho amava sua cidade de adoção, para onde veio aos 13 anos. Até bem pouco tempo, podia ser visto quase diariamente no Museu de Santo André, consultando livros e documentos na biblioteca, subsídios para as reivindicações do seu estimado GIPEM – Grupo Independente de Pesquisadores da Memória, do qual foi membro fundador e coordenador.

Phila2005 1p

(Ciclo “Revivescências” – Alpharrabio – 16 de junho de 2005)

Philadelpho era parte da paisagem humana desta cidade que há dois dias, tornou-se mais pobre. Eu, um pouco mais triste.
dalila teles veras

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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3 Responses to Philadelpho Braz – saudade

  1. Juliana Pedreschi says:

    Que perda Dalila, fiquei sabendo somente agora, estou muito triste também.
    Juliana Pedreschi

  2. José Armando says:

    Dalila,
    como sempre você se torna a intérprete de nossos sentimentos de uma forma carinhosa.
    Phila deixa saudade e uma lição de humanidade.
    Nós, seus amigos, mais pobres.
    Zé Armando

  3. Tijolinho says:

    Phila, não foi meu amigo e sim nosso amigo. Temos obrigação de dar continuidade em seus ideais, que são os nossos sonhos. ESTARÁ SEMPRE PRESENTE NO NOSSO CORAÇÃO….Obrigado Oxala de conhecer o grande Phila.