AMUSA e o Museu de Santo André

Lamentavelmente, é preciso que se diga, pouca gente sabe que Santo André tem um Museu (apenas um!!!), ainda que o mesmo esteja em atividade (aberto ao público) há 20 anos (!!!). Espanto? Pois ainda ontem, mais uma vez, espantada fiquei eu ao conversar com uma pessoa de meu relacionamento (informada, com escolaridade elevada) que desconhecia nosso Museu. Culpa dela? Culpa de quem? Porque a cidade não conhece o seu museu? Este museu, que leva o nome do saudoso médico e historiador andreense Octaviano Armando Gaiarsa, está instalado num adorável e preservado edifício do início do Séc. XX (onde funcionou o primeiro Grupo Escolar de Santo André) bem no centro da cidade (Rua Senador Flaquer, 470), em frente a uma Universidade particular, numa movimentada rua considerada o centro financeiro da cidade e, inacreditavelmente, passa ao largo das atenções dos transeuntes e motoristas que, aos milhares, passam por ali diariamente.
Nossa cidade trabalha, trabalha… e não repara em si mesma, não conhece sua história. Nossa cidade passa por si mesma e não se olha no espelho nem se reconhece em nenhum marco.
Os mais de 600 mil cidadãos que aqui vivem não se dão conta o quanto somos pobres em matéria de memória histórica. Um museu, apenas um (nem sequer contamos com um arquivo municipal, uma pinacoteca, um museu de arte, nada…). Não temos, não sabemos e nem esboçamos desejo de ter. Subúrbio, ainda… (e para sempre?). Culpados? Bobagem procurá-los. Ir em frente, transformar, é o remédio.
OK! OK! É pouco! Mas é o que temos e é preciso que o museu funcione e seja conhecido.
Há 10 anos foi fundada a AMUSA – Associação Amigos do Museu de Santo André, uma entidade civil, sem fins lucrativos, que tem por objetivo, além de apoiar a conservação, divulgação e atividades do Museu de Santo André, justamente, também contribuir para um maior envolvimento da comunidade com o museu. Graças ao esforço de alguns, muitos deles funcionários do próprio museu, tem se mantido viva e, em especial nos últimos dois anos, atuante.
No último dia 27, marcando esses 10 anos de atividades, a AMUSA promoveu, nas próprias dependências do museu, o lançamento oficial de seu site ( vide ), com uma fraternal Noite do Caldo Verde, à qual compareceram muitos dos associados e seus convidados.

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(foto Suzana Kleeb)

Ali estava gente que, assim como eu, também esteve presente na inauguração do Museu, em 1990 ( Antonio Possidonio Sampaio, José Duda da Silva, João de Deus Martinez, Hildebrando Pafundi, Valdecirio Teles Veras, na foto abaixo, e tantos outros), quando da realização do I Congresso de História do Grande ABC, idealizado por um de seus fundadores, o então Prefeito Celso Daniel.

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O freqüentador mais assíduo e entusiasta de todos, o saudoso memorialista Philadelpho Braz, que ali passou a “viver” após sua morte (Nov. 2009 – vide) foi lembrado por Alberto Alves de Souza, o presidente da AMUSA, e comovidamente pelos presentes. Suas cinzas foram espalhadas no jardim do museu. O Secretário de Cultura da cidade não se dignou a comparecer e tampouco enviou qualquer representante (estão todos ocupados com coisas mais importantes, como a campanha política para as próximas eleições. Em compensação, como sempre, a equipe de funcionários de carreira do Museu não mediu esforços para o conforto e a confraternização).
Mas não só. Para os aficionados, como eu, em lojinhas de museu, a AMUSA também abriu sua loja dentro das dependências do Museu

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(foto de Suzana Kleeb)

sonho antigo, agora concretizado. Além dos produtos desenvolvidos com a marca da AMUSA (lançados no ano passado, em memorável festa no Alpharrabio – vide ) objetos artísticos e livros de autores da região também estão à venda ali.
Aqui fica o convite, associe-se à AMUSA, visite o nosso museu, e leve para casa algo que o recorde e/ou fale da cidade de Santo André. (dalila teles veras)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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3 Responses to AMUSA e o Museu de Santo André

  1. suzana says:

    Dalila, amiga.
    De fato, o Museu é uma jóia que a cidade ainda pouco se apropriou. Ali estão registros, retratos, cartas e tudo o mais que a cidade, submersa em seu cotidiano de trabalho, por vezes descarta sem muito cuidado! E nós, zeladores da memória, recolhemos cuidadosamente, folha a folha, grão a grão…
    Mas isso não basta! O Museu precisa de muito mais para que as gentes passem por lá e se apercebam como parte da história, comprometidos com sua memória. Necessárias são ações!
    E a Amusa precisa mesmo de mais sócios!! Somos poucos ainda! Necessitamos da sociedade civil atuante que discuta, balize e acompanhe projetos e necessidades dessa Casa de Memória, auto-retrato de Santo André. Fica de novo o convite, associe-se!!
    Beijo e sempre grata.

  2. isa says:

    Eu já agendei e vocês já fizeram o mesmo?

  3. Antonio Possidonio Sampaio says:

    Este texto sobre o aniversário da AMUSA merece a reflexão de todos nós, que moramos na cidade e constatamos o seu empobrecimento no tocante à cultura, que já contou por aqui com momentos memoráveis. Durante o último caldo verde, tivemos a oportunidade de observar essa descida de morro, inclusive a indiferença da administração pelo acontecimento. 0 registro da poeta e cronista Dalila é um grito de alerta. Quem sabe uma roda de conversa ente os associados da AMUSA e outros interessados não seria um começo de busca de solução? Antonio Possidonio Sampaio

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