AMUSA – Manifestações

A AMUSA – Associação Amigos do Museu de Santo André, através de email, fez circular entre os seus associados, um link para o post do último dia 30 de agosto (leia), deste nosso blog, no qual tecemos comentários a propósito da comemoração dos 10 anos da entidade e 20 anos do Museu. Reproduzimos abaixo, com a devida autorização, a manifestação do prof. Marcos Sidnei Pagotto-Euzebio, datada de 06.09.2010:

“Caros e caras, ainda sobre o texto da Dalila e sobre os comentários suscitados:

Foi quando eu estava no Ensino Médio, no final da década de oitenta, e estudava no Américo Brasiliense, que comecei a ir ao teatro e a participar de atividades culturais na cidade. E isso aconteceu por um motivo bem claro: recebíamos, frequentemente, a visita de artistas durante nossas aulas, que vinham convidar a turma para assistir esta ou aquela peça que entrava em cartaz no Municipal, ou então, por obra dos professores (e especialmente um, o professor Edmundo Epifanio Dias, que tanta gente conhece), que nos indicavam o que ver, assistir, ler e discutir. Foi por isso que conheci o Municipal. E, depois, o “Carlos Gomes”. E o Museu, e no Museu, o pessoal do Gipem, e as questões do patrimônio, e por aí vai. Antes disso, eu já havia sido fisgado para a poesia pelo trabalho consistente do Grupo Livrespaço, capitaneado pela Dalila, que em uma visita inesquecível à pequena escola em que estudei o “ginásio”, em Camilópolis, me fez ver que eu também podia “poetar”…

Digo isso tudo pelo seguinte: o problema da falta de interesse pelas atividades de cultura em nossa cidade e região, esta terra de passagem, subúrbio da monstruosa metrópole que tudo atrai e engole, passa, obrigatoriamente, pela necessidade de formarmos um público, de prepararmos uma audiência para aquilo que reputamos ser importante. E essa preparação tem a escola como lugar privilegiado para acontecer. A escola, apesar dos “feicebuques” e “tuiters” da vida, permanece sendo o lugar onde a socialização acontece, onde relativizamos o clã e vemos o outro, o diverso, o contrastante.

Ainda que alguns puristas torçam o nariz, postulando uma autonomia das artes em relação à educação, penso que o principal campo de trabalho e de semeadura, o auditório preferencial de todas as atividades culturais de nossa cidade deveria ser a enorme massa de jovens alunos que, salvo atitudes tópicas, cheias de voluntarismo, mas nada eficazes, “abandonamos à própria sorte”. Ainda que isso também provoque pruridos em alguns, a existência de uma Secretaria da Educação separada da Secretaria da Cultura (seja pelo bom motivo que for…) é sinal de como se pensa a cultura como “perfumaria” e a educação como simples cumprimento de metas externas, e não como paideia, como formação humana que não prescinde – não pode prescindir – da cultura.

Um dia, quem sabe, o pessoal da Escola Livre de Teatro será chamado a apresentar os resultados de suas pesquisas nas escolas de ensino fundamental e médio de Santo André, e ali farão com que brilhem os olhos de algumas dúzias de jovens vocacionados para as artes dramáticas – e de um número muito maior de insuspeitados amantes do teatro. O mesmo valendo para a Escola Livre de Cinema e Vídeo, que faria apresentações e debates no pátio das escolas sobre filmes e documentários que discutam a vida destes mesmos jovens. E nossa Orquestra Sinfônica iniciaria um tour por todos os estabelecimentos de ensino da cidade, em workshops que mostrem como a música erudita pode ser muito mais heavy que muito rock, e muito mais romântica que todo esse “sertanejo universitário” junto… E assim por diante.

No entanto, isso depende de vontade política, da habilidade de dialogar e criar parcerias, de visão de conjunto, sistêmica, de se ver o óbvio ululante: apesar de todos os determinantes sócio-econômicos etc e tal, a educação e a cultura fazem o corpo social, e quanto mais ricos forem estes dois termos, mais rica, bonita e variegada é a comunidade.

A nós, da sociedade civil “mais ou menos” organizada, que não fazemos parte da máquina pública, o que resta é pressionar e exigir, mostrar nosso rosto, nosso dedo apontando e nossa agenda. Para que, entre outras coisas, os bem intencionados Davis lá dentro se fortaleçam na disputa contra os filisteus…
Um abraço a todos e todas, com desculpas pelo texto descuidado nesta véspera de feriado…
M.”

O debate permanece aberto. (dtv>

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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