Um chá para o Suzuki nos 19 anos do Alpha

Aconteceu numa espetacular manhã de sol (desta vez, sem chuva) a celebração dos 19 anos, com a abertura da exposição-homenagem ao artista João Suzuki, cujo título, “Ano/ta/ção pa/ra ser lem/brado”, foi retirado de uma de suas obras.

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O chá, com destaque para o de jasmim, seu preferido, acompanhado de bolos e biscoitos (obrigada Penélope, pelo de chocolate e o de fubá, obrigada D. Elvira, pelas muito apreciadas rosquinhas de pinga), irmanou os presentes

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e toda a família Suzuki que ali deixou sua assinatura (pa/ra ser lem/bra/da), também como homenagem

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Abrindo oficialmente a exposição e celebrando o aniversário da Livraria, Dalila Teles Veras proferiu as seguintes palavras:

“19 anos comportariam muitos discursos, mas desta feita, não haverá nenhum, posto que 19 anos incorrem também em repetições.
Lembrar poderá parecer desnecessário, mas para nós que nos preocupamos desde sempre com a memória, convém lembrar daqueles que jamais serão passado. Todos os que por aqui passaram ao longo deste tempo e deixaram suas marcas, quer seja através de sua arte, sua literatura, seu pensamento, sua contribuição cidadã ou de sua amizade.
Não foram poucos os que nos deixaram e hoje habitam outro plano. Mesmo sabendo que isso possa se tornar maçante para um momento como este, peço licença para lembrá-los, tomando-lhes alguns minutos:

Walter Bevilacqua; Luiz Sacilotto; Octaviano Gaiars; Judy Gaiarsa; José Mindlin; José Lazarini Júnior; Nair Lacerda; Ruy Affonso; Odete Tavares Belinghause; Uilcon Pereira; Vangelista Bazani, o Gilli; Celso Daniel; Antonio Rago; Helena Maurício Craveiro Carvalho; Pierino Massenzi; Adriano Figueirinha; Nilce Sabino; Romeu Ritondale; Zélia Gattai; José Paulo Paes; Paulo Dantas; Osvaldo Varoli; Paschoalino Assumpção; Lívio Xella; Carlos Gallante; Philadelpho Braz; Ivonice Satie; Flávio Florence; Maria de Lourdes e Manuel, meus pais; Milton Andrade; Wagner Calmon Ferreira; Thika Suzuki e, por último, mas não menos importante, João Suzuki, o homenageado de hoje que, já em 1995, generosamente, emprestava sua arte a estas paredes, contribuindo para o engrandecimento desta nossa pequena história.
Sem exatamente o saber, eu já convivia com o artista Suzuki desde 1965, quando, funcionária da Federação das Indústrias, conheci e trabalhei ao lado do poeta e jornalista Alvaro Alves de Faria. As capas de seus quatro primeiros livros, Noturno Maior, Tempo Final…, Elegia de um Deus só e O Sermão do Viaduto, respectivamente de 1963, 64, 65 e 66, são de autoria de Suzuki. À época, Álvaro era seu aluno de desenho e, influenciado pelo Mestre, também seguia suas trilhas povoadas de seres estranhos e oníricos.
Quis o destino que, em 1972, eu viesse residir na mesma cidade que Suzuki escolheu para viver e morrer, mas, ocupada que estava com minha juventude, ouvia aqui e ali falar de Suzuki, sem saber que era meu vizinho. Até que, muito tempo depois, naquele ano de 1995, fui levada à sua casa pelo então amigo recente Zhô Bertholini e deu-se, afinal o encontro que foi definitivo. Diante do impacto que recebi dessa arte absolutamente singular, tão feroz quanto delicada, fiquei dela cativa, tanto quanto da simplicidade quase franciscana de seu criador. A partir daí, as trocas foram permanentes e a admiração crescente.

Devo, portanto, ao amigo Zhô Bertholini, aqui presente, a gratidão eterna por aquele mágico encontro.

O agradecimento tem sido recorrente, mas ainda se faz necessário, posto que esta história não é a história de uma só pessoa, mas de todas as centenas de pessoas que por aqui passaram.
Nesta festa dos nossos 19 anos, vamos aos agradecimentos do momento, a todos os que, sem medir esforços, colaboraram com a realização da exposição “Ano/ta/ção pa/ra ser lem/brado” que hoje inauguramos, homenagem póstuma ao nosso saudoso Suzuki, (importante dizer que este foi um trabalho voluntário, voluntarioso e apaixonado de todos):

- ao José Armando, a quem também devemos felicitações pelo seu incansável trabalho de pesquisa que resultou no mais importante registro e divulgação da trajetória artística do nosso homenageado, o livro “João Suzuki – Travessia do Sonho”, publicado por esta casa de livros em 2007;

- ao Zhô Bertholini pela inestimável colaboração, doando três longas tardes de trabalho, neste caso, braçal, mesmo, pintando paredes, repondo prateleiras e objetos retirados de seu local original;

- à Criz Suzuki, pelo entusiasmo e contribuição de sempre e que, mesmo enfrentando problemas de doença em família, plotou e aplicou nas paredes todos os textos da exposição, além das dicas valiosas;

- ao Júlio César Rossi pela montagem;

- à Fátima Roque, pelos toques sábios e empréstimos outros;

- à Eliane, pela paciência e generosidade na função de contra-regras;

- ao Edmilson da Con Art, Molduras, que à última hora emprestou sua criatividade para a solução da exposição de um dos desenhos da exposição;

- ao Eduardo Nunes, pelos retoques finais;

- um agradecimento muito especial a uma pessoa que não vai me perdoar por isso. Refiro-me à nossa factotum Luzia Maninha que, nos últimos dois meses, mergulhou no universo Suzuki, cuidando desde o registro fotográfico de todo o espólio, até os mínimos detalhes para que esta homenagem fosse revestida daquilo que realmente é: um tributo mais do que sincero e desprendido ao gênio do nosso amigo Suzuki;

- Não poderia deixar de agradecer – ainda que isso possa soar cabotinamente por tratar-se de alguém tão próximo – ao meu eterno patrocinador, incentivador e tantas outras denominação terminadas em “or”, Valdecirio Teles Veras;

Por fim, e também não menos importante, o agradecimento ao Márcio Suzuki e sua mulher Kátia, pela confiança em nós depositada.

Espero que releguem se os enganei quando disse que não haveria discurso… Obrigada. ”

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A seguir, o pesquisador e crítico de arte José Armando Pereira da Silva, autor do livro “João Suzuki – Travessia do Sonho” pronunciou breve palestra sobre o artista, sublinhando “a importância da exposição e do encontro, uma forma de fazer melhor conhecida essa obra de grande qualidade e de uma beleza incrível desse artista especial que foi João Suzuki.”

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O público presente foi convidado também a participar da conversa

que prosseguiu manhã adentro, corredores e todos os espaços disponíveis afora

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Mestre Amadasi revela segredos da arte ao interessado Mateus

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(talento herdado do avô?)

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As imagens exibidas durante a exposição representam as centenas de desenhos inéditos que compõem o espólio de Suzuki, fotografadas por Luzia Maninha, foram apreciadas pelo público presente

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que ali deixou também patenteada sua cumplicidade.
Um momento para ser lem/bra/do (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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7 Responses to Um chá para o Suzuki nos 19 anos do Alpha

  1. Constança says:

    foi um dia muito bonito, belas pessoas, belos desenhos, boas comidas, muito sol e amizade
    valeu

    gostei das fotos tb

    abraços

  2. Antonio Possidonio Sampaio says:

    Que belo momento do Alpha eu perdi! Estava viajando. Durante a viagem, pensei na festa aqui realizada, mas não imaginei tanta momentos lindos, belíssimas palavras, comparecimento valioso de pessoas comprometidas com o Espaço. Agora que voltei, vou conferir. Principalmente para celebrar e recordar momentos que passei com o homenageado Suzuki, nquele mesmo local agora homenageado. Dele tenho saudade, que sublimo contemplando um quadro que ele compôs especialmente para mim. Parabéns a todos. Antonio Possidonio Sampaio

  3. artur gomes says:

    Dalila querida que lindo momento, reafirmando a vida do ALPHA e toda a sua resistência em viver pela literatura e pela Arte. um grande beijo, parabéns.

    por aqui nem só beleza
    nesses dias de paupéria
    nação de tanta beleza
    país de tanta miséria

    http://goytacity.blogspot.com/2011/03/terra-de-santa-cruz.html

    ventilador – jiddu saldanha – cinema possível
    http://www.youtube.com/watch?v=SVpwfLpwp00

  4. Adélia Nicolete says:

    Muito bom ver o Alpha lotado pra ver e ouvir coisas bonitas.
    Parabens a todos.

  5. Josefa Barranova says:

    Que festa bonita! Parabéns a todos vocês do Alpharrábio!

  6. Penélope says:

    Linda festa com a simplicidade que o que há de melhor na vida requer. É bom ser da família Alpharrabio. Beijo em todos,

  7. Parabéns a mais um ano do Alpharrabio! Fiquei muito orgulhosa da montagem que fizemos para homenagear o Suzuki. E vem mais…
    Bj grande e obrigada pela lembrança no discurso.