Frei Betto – Um humanista que escreve ficção

O romance Minas do Ouro levou 13 anos para ser concluído. Narra a saga dos Arienim, através de várias gerações. Como pano de fundo, cinco séculos de história. As cidades de Ouro Preto, Mariana e Sabará, as lutas em busca de metais preciosos, a história de Minas Gerais e do Brasil.
Foi dessa obra que Frei Betto, seu autor, veio falar para um interessado público de leitores que lotou as dependências da livraria Alpharrabio no último dia 25.

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Filho de pai cronista, o jornalista Antônio Carlos Vieira Christo, e mãe culinarista, Maria Stella Libânio Christo, aos 60 anos publicou um livro, Fogão a Lenha, que hoje é considerado um clássico da culinária mineira, Frei Betto deles herdou a vocação para a palavra, talento já aos 11 anos vaticinado por um professor de português que disse que “ele só não seria escritor se não quisesse”.
Dito e feito. O jovem Carlos Alberto Libânio Christo foi estudar jornalismo, tornou-se Frade Dominicano, estudou também antropologia, filosofia e teologia. Além do escritor reconhecido e laureado, é também um respeitado pensador, incansável voz na luta pelos direitos humanos e justiça social.

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Com uma espantosa capacidade de comunicação, Frei Betto encantou a platéia, valendo-se, inclusive, de um fino humor para falar de passagens difíceis de sua trajetória: “Eu me tornei autor graças aos generais brasileiros”. Preso, escrever era uma maneira de denunciar o que acontecia lá dentro. Publicado primeiro na Itália e na França e só bem depois publicado no Brasil, o livro Cartas da Prisão foi proibido de entrar na sela onde seu autor estava preso. As formas engenhosas como esses manuscritos saíram da prisão também foram motivo de pinceladas de bom humor.

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Autor de uma vasta obra, mais de 50 livros publicados, a maioria deles de cunho memorialista, Frei Betto confessa que aquilo que sempre quis foi fazer ficção e diz que a ideia para este seu segundo romance histórico foi acalentada desde 1980. Após muita pesquisa e cuidadoso trabalho de escrita (“este foi meu livro mais elaborado que já fiz”), Minas do Ouro é publicado e vem alcançando sucesso de crítica e de público.

“Não adianta alguém dizer ao escritor para contar isto ou aquilo”, disse o autor. “É preciso ficar grávido da ideia”. A “leitura da história da mina de Morro Velho, considerada a maior e mais produtora mina do mundo no século XIX, me levou à história de Minas Gerais”. Entretanto, mais importante que a história, disse o autor, “é a maneira de contar a história”, acrescentou. Prova disso, é a engenhosa estrutura narrativa deste Minas do Ouro que, nos capítulos finais, ganha ares de ficção policial, tamanha é a carga de mistério e curiosos caminhos percorridos por um misterioso mapa de “inesgotáveis fontes de riquezas”, repassado de geração em geração.

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Encerrada a “conversa de livraria” do autor com o público presente, as filas para os autógrafos, não só nos exemplares de Minas do Ouro, como também das dezenas de outros títulos ali disponíveis.
Para a região do Grande ABCD, é da maior importância reconhecer-se numa figura como a de Frei Betto, nacional e internacionalmente conhecida, reconhecida e respeitada, tendo recebido diversos prêmios e honrarias por essa atuação, e que mantém estreita relação com nossa região onde, por 23 anos, militou através da Pastoral Operária da qual é fundador. Para a livraria Alpharrabio, que já recebeu grandes nomes das letras e do pensamento brasileiro nos seus 20 anos de existência, é motivo de júbilo e muita honra acrescentar o nome de Frei Betto a essa ilustre galeria. (dtv – fotos luzia maninha)

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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One Response to Frei Betto – Um humanista que escreve ficção

  1. Puxa, perdi esta noitada épica! Parabéns pelo evento, e muitas e boas festas em 2012!

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