homenagem

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Casaco de Estrelas
Para Hugo Eduardo Johas Vespucci

Hugo Eduardo elege Guedo Gallet seu legítimo representante, observador onírico do mundo, viajante intergaláctico.
O argonauta Gallet, odisseu, navegador incansável, planeja e refaz rotas ininterruptamente. Quando pousa no minúsculo planeta terra é para retirar-lhe os resíduos, vestígios do vivido e do sonhado, restos desprezados por terráqueos apressados em sua incessante e insana corrida rumo ao nada.
O argonauta Hugo Eduardo, por seu turno, dispara sua arma de invisibilidade e caminha entre eles, terráqueos, com seu casaco de estrelas, seus sonhos azul cobalto. Nas vívidas memórias, carrega suas marionetes caídas na ausência irremediável de mãos que as manipulem, teatros que não há mais, vivos no re-cordar.
Guedo Gallet, empresta de Hugo Eduardo seu mundo e oferece esse mundo ao mundo, universo de sonhos e delicadezas.
A vida prática aos práticos, servidores burocratas vocacionados. O outsider Hugo há muito se demitiu. Comprou um bilhete de ida sem previsão de retorno. Desde então, aciona seu motor movido a insondáveis matérias e flana sobre suas próprias paisagens, cartografias em segredo reveladas a Guedo logo ao acordar.
Há qualquer coisa de imponderável, mas passível de apalpar na arte deste viajante pintor Hugo/Guedo. Há qualquer coisa de real sonhável na arte deste indefinível criador de paisagens que vivem naquilo que não está: o homem não retratado, permanece naquilo que ali deixou ou esqueceu; a criança mantém-se no brinquedo surrupiado ao grande depósito do brincar esquecido, útero real para sempre rompido; mangaratiba para todo o sempre afundada nas águas revoltas da memória, nas quais mergulha o narrador em resgate arqueo/afetivo.
A narrativa pictórica de Guedo Gallet remonta ao princípio fundador de uma história possível dentro da qual a realidade é mero pretexto para criação de novas realidades artísticas. No figurativo que trás consigo um mundo abstrato, o artista ainda mais diz naquilo que sugere e o que sugere constitui uma narrativa observável em pequenos, mas significativos elementos, personagens que vão se encadeando em telas, quadros de uma história maior.
Hugo Eduardo empresta a Guedo Gallet seu cabedal de sonhos, matéria prima indispensável ao pintar/viver, para sempre cravada em tinta vermelha cursiva.
Guedo Gallet toma das mãos de Hugo Eduardo técnica e talento para construir belezas e seduzir olhares.

Dalila Teles Veras
15.09.2012

HugoDetalheBlog 1

casaco de estrelas
este mimo bibliográfico foi composto e impresso no “casulo 3×4″, nas comemorações dos 20 anos da livraria alpharrabio e dos 61 anos de hugo eduardo johas vespucci, artista residente.
tiragem de 12 exemplares, numerados e assinados.
texto de dalila teles veras
produzido por luzia maninha no
casulo 3×4 – santo andré, sp, 2012

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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7 Responses to homenagem

  1. Sueli de Moraes says:

    Que linda homenagem! Será conseguirei chegar a tempo de adquirir o meu…beju a todos alpharrabianos intergalácticos!

  2. Não nos conhecemos com a profundidade necessária para nos tratarmos como amigos, trocamos algumas palavras, mesuras formais.

    No entanto ao observar a tela produzida na Alpharrábio, li ali não só um amigo de antiga data, mas um conterrâneo no país dos sonhos, coisa que só poetas são capazes de fazer.

    A oficina velha de folguedos, dos brinquedos inventados, dos automóveis imaginários, vi ali se descortinar a minha infância, dentro das memórias do pintor.

    Agradeço profundamente a Guedo por materializar minhas memórias nas suas, coisa que só os alquimistas que lidam com a raiz do sonho podem realizar.

  3. Fernando Di Lascio says:

    Parabéns amiga! Aqui você conseguiu superar a arte pictórica com a literária.

  4. Leonardo says:

    Parabens pelo texto visual literário !!! Bonito.

  5. Dalila, bonito texto. Imagino que o Hugo tenha gostado bastante; é um privilégio quando outra pessoa de sensibilidade artística escreve sobre um artista ou obra.
    Ví dois quadros do Hugo há alguns anos, quando fui aí na Alpharrabio. Vejo agora essas duas reproduções; é pouco para comentar de maneira mais extensa, mas apreciei o que vi. É um trabalho contemporâneo que me parece estéticamente bem alicerçado. Gosto (também como pintor) desse azul cobalto, da sensualidade das superfícies cobertas pela tinta. Espero ter oportunidade de conhecer melhor a obra dele.
    Abraço
    Edgard

  6. patricia augusta corrêa says:

    bela e merecida homenagem da poeta ao artista residente! grande abraço aos dois.

  7. Fruição. É o q acontece quando Hugo pinta. É o q acontece quando vemos uma obra de Gallet

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