80 anos de Sonia Guedes celebrados no Alpha

Na mesa, chá e bolo. Ao redor, amigos e afeto.

blogcha

A manhã do sábado pertence a Sonia Guedes, a atriz. Depoimentos emocionantes e emocionados. Primeiro, Adélia Nicolete, que muito colaborou com a organização do encontro e sua biógrafa (autora de Chá das Cinco, coleção Aplauso, Imprensa Oficial, 2010).

blogadelia

Depois, as amigas e colegas da época da EAD, Gabriela Rabelo e Beatricce Fiocca, amizade de quatro décadas

blogamigas

Augusto Maciel, colega desde a época do GTC que, além de testemunhar sobre sua amizade de vida inteira, também ouviu uma comovente confissão da própria Sonia sobre a inestimável ajuda de sua família quando do nascimento da filha, Kátia (cantora lírica que hoje vive na Alemanha)

blogmaciel

Luís Alberto de Abreu, falou sobre a dívida enorme que o ABC tem para com ela e com sua geração que abriu a possibilidade de se fazer arte numa região operária, subúrbio de São Paulo.

blogabreu

Finalmente, Salvador dos Santos, da Casa Cultural todas as Artes, sobre um telefonema de Sonia, patenteando apoio, inclusive material, ao seu projeto cultural na periferia de Santo André, à época, ainda em começo

blogsalvador

A grandeza do ser humano atrás da premiada atriz foi se revelando ao longo das conversas e, por fim, a surpreendente fala da homenageada. Uma atriz que se projetou nacional e internacionalmente, uma estrela ao natural, uma estrela sem estrelismo, que fala do prazer de fazer o que gosta e acredita que nem sempre o melhor precisa de dinheiro.

blogsoniafala

Falou do seu mais recente trabalho no filme Histórias que só existem quando contadas, direção de Júlia Murat, pelo qual foi premiadíssima, inclusive com o Prêmio de melhor atriz num festival de Cinema em Veneza, e da satisfação de fazer pelo simples prazer de acreditar no trabalho. Após a exibição do trailer e cenas de making of do filme, a surpresa: a plaquete Neblina nos Olhos, um roteiro de José Armando Pereira da Silva para o recital que Sonia apresentou em 31 de outubro de 2001, por ocasião do lançamento do livro A Cena Brasileira de Santo André – 30 anos do Teatro Municipal no Teatro Municipal de Santo André, texto que relata a trajetória da própria atriz e que permanecia inédito em livro. Assim, não houve possibilidade de escapar da inesperada “sessão de autógrafos”

blogfatima

blogsoniaregina

Trata-se de uma plaquete artística, idealizada e produzida artesanalmente por Luzia Maninha para a coleção Mimo, Edições Alpharrabio, com 92 exemplares, numerados e fora do comércio, da qual cada um dos presentes recebeu um exemplar. As imagens aqui postadas, como sempre, são também de Luzia Maninha.

blogeliane

blogfabio

Abaixo, com a devida autorização, o texto de Adélia Nicolete, lido na ocasião:

“Ultrapassando os 80

Em tempos pós-modernos, de culto à eterna juventude, a um corpo parado no tempo, de preferência nos 18 anos, energia, força e desejo congelados no que se convencionou chamar época de ouro, festejar os 80 anos de uma mulher como Sônia Guedes é um fato e tanto.

E se eu digo “uma mulher como ela” é por que a tal pós-modernidade reservou para as mulheres a sua mão mais pesada. Rugas? Nem pensar. Cabelos brancos? Jamais. Alteração de peso? Detenção na academia.
Sônia Guedes não congelou nos 18 anos, ela foi em frente. E com ela, o teatro, a televisão e o cinema de Santo André e do Brasil.
Mas se o corpo retrata as experiências vividas, o espírito de Sônia Guedes, ah, esse esconde a idade que tem. E ele não tem 80 anos, tem muito mais, tem séculos talvez. Mas não parece. Porque a determinação com que ela enfrenta a vida muitos jovens não têm.

Sônia viaja – vai e volta dos EUA em três ou quatro dias –, passa meses numa cidadezinha do Rio de Janeiro, sem infraestrutura, gravando um filme, vira e mexe vai pra Alemanha visitar a filha cantora. E quando sossega, lê obstinadamente, cuida da casa, faz palavras-cruzadas, monta quebra-cabeças, ouve música, decora textos enormes, e ainda encontra tempo para ajudar quem dela precisa.

Agora, vejam: isso também é pós-moderno. Porque quando ela tinha 18 anos, as mulheres de 80 – na verdade, quase nem se chegava aos 80! – mas aquelas que chegavam, o destino tinha lhes reservado um espaço tão estreito que elas só podiam sonhar com o dia, lá longe, talvez numa pós-modernidade, em que as suas companheiras de gênero teriam energia e força para realizar os seus desejos, para que quando chegassem aos 80 anos ganhassem homenagens como essa que hoje fazemos à nossa querida Sônia Guedes.”

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

2 Responses to 80 anos de Sonia Guedes celebrados no Alpha

  1. Adélia Nicolete says:

    Queridos Alphas,
    que manhã deliciosa!
    Uma celebração merecida pelos 80 anos da Sônia Guedes, mas que abrange a cultura da cidade. Que coisa boa quando o artista é reconhecido na sua terra, enquanto está aqui pra receber os aplausos!
    Um beijão pra vocês e muito obrigada!

  2. Adorei ler sobre a homenagem merecida à Sonia Guedes e vê-la, ainda que por fotografia.Parabéns.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>