Uma conversa de livraria em torno da revista Mortal

Numa clara manhã de sábado pós-Carnaval, na Livraria Alpharrabio, na pauta de um grupo de curiosos e resistentes

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a Revista Mortal, por seus editores, Jairo Costa e Izabel Bueno

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Questionado, Jairo inicia dizendo que o título da revista é uma brincadeira do “movimento dos reles mortais” em relação aos “imortais” de fardões.

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A partir daí a conversa enveredou exatamente pelas trilhas editoriais da revista, editada em Santo André, mas que fala do ABC e dialoga com o mundo, ainda que a queixa do editor seja inevitável: “eu não consigo sair de Santo André, não há espaços. Não somos nada disso que se convencionou chamar de “região”, “grande ABC” porque não estamos conectados. Há uma total falta de trocas e a ideia é entrar em ambientes onde a gente não entra, criar algo em torno da agitação, reunir pessoas, fazer com que coisas aconteçam, estimular, inclusive, que gente que nunca publicou nada, mas tem conteúdo publique, como está publicando, na revista.”
Ainda que diante das dificuldades de toda ordem que, por vezes, parecem incontornáveis, Jairo e Izabel não esmorecem e perseguem em sua crença na “força do papel” e da palavra impressa. Já com a tiragem do número 01 praticamente esgotada, a ideia, diz Jairo, é lançar mais 2 números da revista ainda neste ano, trilhando a mobilização da mídia livre, não ter medo de abordar qualquer assunto, textos que saiam do lugar comum.
É assim que assuntos aparentemente tão díspares entre sim, como Bandas de rock, punk, anarquismo, política, artes visuais, manifestações de rua recentes, black blocks, literatura, quadrinhos, fotonovela, HQ e memória ocupam as páginas da Mortal. Dentre eles, chamou atenção dos participantes da roda de conversa a matéria sobre Constantino Castellani, operário e líder rebelde anarquista, assassinado pela polícia durante uma manifestação grevista em 1919, na rua Cel. Oliveira Lima, no mesmo local do “assassinato” da escultura Concreção 0005, de Luiz Sacilotto. Jairo pesquisou o assunto nos arquivos do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, com cerca de 600.000 documentos e 50.000 fotos, a maioria sem data nem identificação, que seguem “guardados” em caixas de papelão de supermercado.
Foi lembrado que foi esse mesmo sindicato que “ofereceu à cidade” um monumento que, pelo que saiu na imprensa, custou 300 mil reais, mas que não foi capaz de investir na preservação do seu importantíssimo acervo.
Ainda que o papel de uma revista não seja exatamente o de apontar soluções para casos como este, tem o mérito de despertar discussões e incitar ações que é o que parece acontecer com esta feliz iniciativa que, torcemos, tenha vida longa e desdobramentos. (dtv)

About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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