História de Rês e Marruás – ou da Paixão Segundo Borges/Alex/Toninho/JAD

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Três homens em desamparo de afetos e humanidade, reféns de contingências brutais, duelam contra si mesmos e a própria brutalidade, num tempo anterior aos tempos, um tempo sem data que pode ser hoje. Um local sem marca que pode ser aqui, sertão de todo lugar, sertão dentro tão ressequido quanto o da paisagem exterior, que tanto pode ser o sertão das gerais, do Nordeste, da Islândia ou da Grécia antiga, sertão universal, posto que habitado por humanos suscetíveis à imponderabilidade dos fados existenciais.

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O humano latente, pouco percebido pelos protagonistas, aqui e acolá, emerge como um possível lampejo de consciência primal e de recusa a uma vida abjeta que a matéria humana bruta carrega e não admite quaisquer possibilidade de transformação.
Três homens acostumados ao cheiro de bois e homens, três homens incapacitados para quaisquer possibilidade de delicadezas, três homens submetidos às suas próprias leis, são, pelas artes do amor de uma mulher (a intrusa?), desestabilizados em sua rudeza imprópria para as coisas dos sentimentos.
Dois deles acatam os desígnios e permanecem subjugados às leis estabelecidas, leis não escritas, leis de sangue e gerações. Subjugados pelo conflito da paixão e do ciúme, sacrificam o próprio objeto do amor e estabelecem a tragédia.
Apenas um deles e sua corajosa juventude, saudoso de cuidados maternos, possui a coragem para infringir a lei do sangue. Apenas ele diz NÃO.
Talvez este texto possa servir de possível sinopse para uma tragédia escrita pelo gênio argentino de Borges, reescrita e transformada pela criatividade dramatúrgica e brasileira de Alex Moletta, colocada em cena pela sensiblidade e profissionalismo de Toninho (Antônio Correa Neto) e que ganhou vida plena na voz e nos gestos de Ademir Antunes, Edson Cardoso, Renan Splandiun, Levi Cintra e Elaine Alves no espetáculo que recebeu o nome de História de Rês e Marruás e que eu, dalila teles veras, espectadora desarmada e acometida do choque estético que é próprio das obras de arte, assisti, nos dias 27 e 28 de março de 2014 nas dependências da Livraria Alpharrabio, em Santo André, do qual dou testemunho de fé.

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Em tempo: o debate após o espetáculo no dia 28 foi digno de aula magna coletiva, ministrada por cada um que ali estava, artista ou espectador, cada qual com seus saberes, ensinando e aprendendo. Viva! (o registro fotográfico, como sempre, é de Luzia Maninha).

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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