José de Souza Martins apresenta seu novo livro no Alpharrabio

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Uma vez mais, o Prof. José de Souza Martins, reconhecido cientista social brasileiro, professor titular aposentado de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), prestigia esta casa. Assim como ocorreu com todos os seus livros publicados nos últimos anos, veio para apresentar seu mais recente livro: Do PT das Lutas Sociais ao PT do Poder, Editora Contexto, 2016.
O professor iniciou sua fala dizendo que “este não é um livro contra o PT, assim como também não é a favor. Trata-se de uma reunião de textos de um sociólogo com ligação com os movimentos sociais (principalmente na região amazônica), que viu nascer o MST (em Goiânia) na pastoral da Terra. (…) e foi “mordido pela ideia” de acompanhar, analisar e escrever sobre um partido que acabara de eleger o primeiro Presidente da República operário, que rompe com a tradição dos, tirando os militares, “presidentes bacharéis”
Alguns trechos retirados de sua palestra:
O Lula domina a linguagem do homem simples e isso é o que faz dele único, bilíngue. Fala o que o sertanejo diz e entende o seu silêncio, o silêncio de pessoas que vivem no silêncio, coisas que os intelectuais não vêm. Isso é uma coisa que o Lula sabe fazer e o que o faz diferente.
(…)
Na Primeira eleição, Lula não ia ganhar porque teve o veto do grande capital e do agronegócio. Foi preciso a mediação de Zé Dirceu, mas o realismo político do Zé Dirceu é diferente do de Lula. Lula, não vem da esquerda tradicional do ABC, a esquerda do confronto. Vem do sindicalismo de negociação, um sindicato moderno. Ele sabia que só chegaria ao Poder apenas com negociação.
(…)
Na Carta do Povo Brasileiro o PT mostra a aderência ao capital. Lula ficará prensado entre o Deus dos pobres e o diabo do Capital. O Ministro Miguel Rossetto avançou na Reforma Agrária, mas Lula o demitiria em 3 meses. Ele não podia enfrentar os latifúndios. Começa aí o afastamento do Governo Lula dos movimentos mais radicais. Lula começa a se afastar do próprio PT e começa a andar sozinho. Um político muito competente, como poucos. Um exemplo é o dos últimos dias em que sai num camburão e volta candidato À Presidência.
(…)
Em 1° de janeiro de 2003 publiquei um artigo, em forma de fábula, sobre os bichos de confiança na arca de Noé que mostra o que é governar convivendo com todos os “bichos”.
A partir daí vim escrevendo e mostrando que o PT vai se descolando dos movimentos iniciais e diferentes grupos de esquerda saem do PT por esse afastamento.
(…)
Diferentemente de outras ciências que pegam o rato, abrem e estudam, Ciências Sociais não faz experimentos, mas analisa situações. Mesmo com um partido totalmente inovador como o PT, o Brasil não foi capaz de criar uma nova ordem política, mas retoma o que havia antes da Ditadura, uma oligarquia.
(…)
O livro sobre o PT entrou aqui como Pilatos, porque na verdade é um livro sobre estrutura de poder.
Nem o o PT nem o Lula estão acabados. Porque o PT foi o único Partido que fez o elo dos que estão à margem (aqueles que nunca foram ouvidos nem mesmo pela esquerda).
(…)
Não é um panfleto político nem partidário. O processo histórico não depende só de pessoas, mas de contextos.

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Exercendo o papel de provocador, o prof. Alexandre Takara, convidado para a mesa pelo autor, elaborou uma série de perguntas, dentre as quais, destacamos esta: discorrer sobre a razão do livro ser dedicado a D. Jorge Marcos de Oliveira.
Disse o professor Martins que o D. Marcos foi um homem extraordinário, uma das primeiras figuras verdadeiramente progressistas da Igreja Católica no Brasil. O próprio D. Jorge tinha dificuldades com o clero (ele tirou a batina). No Círculo Operário, ele chamava atenção dos jovens: – não é pra vir aqui jogar ping pong, é para ir pra porta de fábrica. Quando da eleição do Armando Mazzo (o Prefeito comunista que não foi empossado), a Igreja cria a Diocese e manda um bispo para Santo André que podia se entender com os comunistas. A liderança de esquerda no ABC era comunistas e não católica. Comunista não era o adversário da Igreja na visão de D. Jorge e ele fomentou líderes católicos. (…) D. Jorge “criou o Lula mesmo sem o Lula saber. (…) Lula faz parte de uma construção da Igreja Católica. (…) Juntamente com essas circunstâncias, Frei Chico, o irmão, é quem o coloca no sindicato. A Igreja fomentou uma esquerda alternativa diferente do comunismo da qual Lula foi um representante. D. Jorge foi um católico de esquerda .
(…)

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seguiram-se autógrafos, brindes e mais conversas, tarde adentro.

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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