Antonio Possidonio Sampaio e a atualidade de sua obra

APS24

No dia 03 de junho, marcando um ano da passagem do inesquecível amigo e Alpha desde a primeira hora, Antonio Possidonio Sampaio, um significativo número de amigos compareceu ao Alpharrabio para um extensa conversa e sentida homenagem, iniciada por uma brilhante reflexão de Tarso de Melo sobre a atualidade de sua obra.

Tarso iniciou sua fala, dizendo que “falar da obra de APS é falar da vida, mas de uma vida e de uma história ligada ao que é o Brasil neste momento. “
A seguir, alguns trechos anotados de sua análise:

- 1979/1982, momento de virada no ABC, mapeado em dois livros (A Capital do Automóvel e Lula e a Greve dos Peões), um momento que o ABC viveu e vive ainda. Estamos vivendo esse mesmo momento.
Os livros são flashes, O escritor/repórter. Eu escrevo para a realidade. Eu escrevo o que está acontecendo.

No primeiro livro, por mais que se aproveite da linguagem dos trabalhadores, ele tem uma tarefa de intérprete. Trata-se de uma literatura sem pose, próxima da linguagem do falar “sem camisa”. É literatura, mas é também uma forma de registro que aquele tipo de manifestação social exige. (…) Percebemos essas transformações e vai tomando liberdade para registrar os acontecimentos, deixando falar. Em A Capital do Automóvel, não se ouve a pergunta, mas a resposta (na voz do trabalhador). Mostra o que era viver aquilo como escritor.

- No segundo livro, a linguagem muda bastante, “Lula nem chegou e o estádio está com 80.000 grevistas”. APS vê o mito surgir e que ainda mobiliza a política brasileira. Aquele personagem vira presidente da república. O sonho não foi abandonado. Foi se transformando em outras formas para continuar sendo sonho. A gente pergunta hoje, quando estamos gritando “Diretas Já” o que estes livros dizem pra gente hoje. No mínimo, repensar essas questões. Aquele momento histórico não foi fácil, nunca foi. O livro não foi feito para agradecer nem para fazer sucesso. O livro mostra que o líder sindical vai sempre ser considerado ’inimigo”. É muito curioso como isso chegou até hoje. Um documento vivo de uma luta que não parou.

- Em 2005 aquele momento parecia apoteose: “Agora o jogo tá ganho”. Mas é uma história de sabotagem permanente. Ele ainda não pode parar de “aconselhar os trabalhadores”. É um engajamento, mas não é forçado. Os livros foram escritos nessas condições históricas, mas são permeados por um distanciamento que não faz questão de “controlar a realidade”.

- essas histórias são mais complexas ali do que pela voz dos que contam a História. Não podemos cair na versão mais simples. A concentração de poder é cada vez mais violenta (e não digo de riqueza).

- O panfletário é o contrário do que APS fez. A polifonia, as múltiplas vozes é o oposto disso. Os livros posteriores passam para o diário.

- A ideia de liberdade já estava no livro “A arte da paquera”. O que ele escreve não vem da ideologia. O que lhe interessava era a luta miúda. Outro imperativo é: independentemente disso, eu tenho que fazer, a luta é pequena, mas tenho que fazer, mostrar como aquilo impactava a vida das pessoas. É política é de ganhar e perder, mas o caso dele é de continuar, sempre no meio de alguma coisa.

- Foi uma vida rica demais.

Seguiu-se uma série de depoimentos de pessoas que conviveram com Antonio Possidonio , todos carregados de emoção e que bem disseram do Humanista que foi Antonio Possidonio Sampaio. Todos bem mereciam ser transcritos, mas nossa falta de recursos técnicos e humanos para isso não nos permitiu gravá-los.

Usaram da palavra, Alexandre Takara, Mariano do Amaral Neto, João de Deus Martinez, Teresinha Siraque, João Domingos, Neusa Borges, Deise Assumpção, Julio Mendonça, Rosani Abu Adal, Dalila Teles Veras, Zhô Bertholini, Lenir Viscovini, Edir Linhares, Celso Horta, Manuel Alcides.

Segue-se uma série de fotos de Luzia Maninha Teles Veras que preparou uma vitrine com toda a obra de APS, bem como é autora de um “mimo” distribuído aos presentes, ou seja, uma plaquete artística do poema “Companheiro”, de Tarso de Melo, datado de 03.06.2016, dedicado ao amigo APS. (dtv)

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About Dalila

Dalila Teles Veras, escritora, proprietária da Alpharrabio Livraria e Editora
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