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lambe-lambe digital : Cegonhas01

Cegonhas01

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5 Responses to (im)precisas viagens I

  1. isa says:

    O grande “templo da fé”… Milhares não têm sequer tecto…
    (nº1, Artigo 65º da Constituição portuguesa:. Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada (…)).

    Milhões de euros em ouro, betão branco… quando tantos não têm sequer pão…
    (Nº 1, Artigo 58.º da Constituição: Todos têm direito ao trabalho)

    Não menosprezando a obra, meu local de culto continuará a ser em qualquer lugar onde me seja permitido continuar a acreditar no Homem.

  2. Sra. Dona Isa: A despeito de toda a polêmica (que de, daqui de longe acompanhei superficialmente) sobre os tais milhões de euros gastos com a obra, continuo a achar que vale a pena. Isso sempre foi assim. Ao longo de sua história, a humanidade legou à posteridade obras de inquestionável beleza e valor simbólico e, sabe-se, que à sua respectiva época devem ter igualmente causado polêmicas; pior, muitas delas foram erigidas à custa de trabalho escravo, “em nome da fé”. Mas isso faz parte também do humano, o homem aspira à beleza e ao sagrado, faz-lhe bem contemplá-la, fruí-la, vivenciar momentos de transcendência. Veja, um amigo meu, materialista confesso, disse-me há tempos ter visitado o Santuário de Fátima e sentiu um certo frêmito, algo que sem saber explicar, deveria chamar-se “sagrado”. Ainda que não sejamos crentes nem devotos (a fé é algo que invejo e que gostaria de alcançar, mas sou pragmática demais para que lá chegue, ao menos na plenitude), todos nós em algum momento temos experiências de encontro com o sagrado, que não precisa ser necessariamente num Santuário, mas no próprio dia-a-dia, pequenas epifanias que nos colocam frente a frente com algo que está além da nossa compreensão. O ser humano necessita de praticar o rito, mergulhar no universo simbólico. Sim, concordo que haja milhares sem teto e sem trabalho, mas há dinheiros (muitos) desviados para coisas menos nobres (como a corrupção) e que poderiam perfeitamente servirem para esses fins humanitários. Trata-se, portanto, de exigir que o orçamento do Estado contemple esses setores cumprindo a Constituição, mas a arte é também uma necessidade. Nem só de pão vive o homem… Acredito na arte como sublimação do reles cotidiano, e… vá lá… relegando os precalços, é sempre bem vinda. Mas gosto de vê-la exercendo sua indignação, legítima. Como você, eu também sou filiada ao PCI (Partido dos Cidadãos Indignados), mas com a idade, alinhei-me a uma ala dos mais moderados (mornos, jamais… apenas mais ponderados). Bem vinda, sempre a este fórum democrático, que é o nosso Alpha. dalila

  3. isa says:

    Bom dia Dalila
    Permita-me alguns sublinhados: Não me considero materialista. Sou crente – acredito que é possível uma sociedade mais justa. Sou devota – acredito no Homem e na sua obra. Serei simples sonhadora ou verdadeira pateta?! Só sei que não sou dona de nada.

    Quando vou a Fátima (paradoxo? Nem tanto, mas não vem agora ao caso), lógico que não fico indiferente à obra, gosto e aprecio o belo.
    Contudo, toda aquela sumptuosidade do santuário, contrasta com a muita mendicidade envolvente. Depois é toda aquela (quase que humilhante) prostração humana…

    Quando a amiga diz “muitas delas foram erigidas à custa de trabalho escravo”, permita-me discordar na conjugação do verbo “ir”. Considero que continuam a ser erigidas, só que de forma diferente. Os tempos são outros e os modelos de escravatura também.

    O aproveitamento espiritual não será também uma forma de escravatura?!

    “(…) O Reitor indicou que a obra foi financiada “integralmente com as ofertas dos peregrinos do Santuário de Fátima”. (…)
    O Reitor considerou ainda que “há também um fundamentalismo mariano”, mas que o Santuário tem procurado manter um equilíbrio apesar de ser “fortemente atacado” à esquerda e à direita. Noutro âmbito, reconheceu que a grande maioria dos peregrinos são pobres e que, na devoção a Fátima, “há muita ignorância e ingenuidade”. (www.ecclesia.pt/fatima07)

    Amo a liberdade e aprecio arte, por isso visito este blog.

  4. Constança says:

    Fátima será sempre um lugar polémico e lucrativo.

    A humanidade precisa de espaços de criação, é tão dificil de enteder as diferenças e as injustiças.

    Vivo no Brasil, num dos países com disparidades sociais enormes e isso não pode bloquear-me, faz-me refletir.

    A liberdade é um bem para muito poucos em todo o mundo.

    Eu sou agnóstica aprecio trabalhos de temas religiosos de uma forma puramente estética, durante muitos séculos só as igrejas valorizam a pintura e por iso chegou até nós muita coisa boa

    enfim

  5. Independente da polêmica, achei um belo texto. E lindas fotos!