Neste último sábado, 17, uma manhã de sol, vésperas de Primavera, o Alpha mais uma vez iluminou-se com a presença de gente que ainda acredita no valor do humano, na presença do humano, na arte como compromisso.
Expectativa. Muita gente curiosa em saber da magia e da química em reunir e expor 582 trabalhos, iguais no formato e diferentes no dizer. Postais em várias línguas, valendo-se de recursos os mais diversos, mensagens explícitas e cifradas. Arte Postal – Os Livros, os livros vistos pela arte.
Ao som de “mensagem”, com Maria Bethânia, abriu-se a porta para um micro universo, onde, graças às idéias de gente que tem idéias e põe a mão na massa para viabilizá-las, os postais flutuavam no espaço. Fios brilhantes, feito estalactites móveis, os sustentavam. Ofereciam-se ao olhar e ao manuseio.
E os presentes, alguns deles também ali representados por seus respectivos postais, não se fizeram de rogados e foram à lúdica tarefa de ler e apreciar um a um, a arte que veio pelo correio, mensagem carregada de signos, significados e significantes.
Arte sem firulas, arte simples mas nem por isso simplória, enganosamente simples, na contramão do gigantismo tecnológico das instalações, mensagens, simples e cifradas, códigos para fruir.
Por fim, um brinde, a celebrar a dádiva do coletivo, do (com)partilhar. E agradecer, ainda que, no caso do Alpharrabio, agradecer já seja recorrente (mas ainda e sempre necessário).
Agradecer pela partilha e doação. Em primeiro lugar agradecer e parabenizar Constança Lucas, a artista dona da ideia e coordenadora do projeto, que soube, desde o início, que este lugar a abrigaria compartilhando sua proposta e seu entusiasmo. Agradecer à Constança também pelos deslocamentos da Capital a Santo André, em horas de doação à concepção e montagem da exposição. Agradecer, muito à Luzia Maninha, que abarcou e mergulhou no projeto desde seu início, pensou e cuidou de detalhes que vão do folder à trilha sonora e muito mais (as imagens, como sempre, são dela); agradecer à Fátima Roque, que igualmente mergulhou com Luzia Maninha e Constança na concepção da exposição e pôs a mão na massa em toda a trajetória da montagem. Agradecer ao Zhô Bertholini, arte-postalista histórico ainda e sempre entusiasmado, que passou dias, braços erguidos, pintando paredes e pendurando postais. Agradecer também a todos aqueles que, contaminados, doaram em algum momento, parte de seu tempo na colaboração da montagem: Victor, cuja presença foi salvadora em momentos cruciais do processo, como a do início, esticamento de cabos de aço, e do final, socorro em face do desabamento parcial da estrutura), Suca Moraes, Cristina Suzuki, Rosana Chrispim, Jurema Barreto de Souza, Penélope Martins, Guedo Gallet e, por último, mas não menos importante, Eliane Ferro, a fiel escudeira, aparando arestas. Toda esta gente (o conjunto de pessoas que enviaram seus trabalhos e o conjunto de outras pessoas, as mesmas, que meteram a mão na massa, demonstram a importância vital do trabalho coletivo, da parceria, da cumplicidade, da força. Bem hajam todos(as). dtv










































