Descuidos para morrer de amor
R$ 50,00
PREFÁCIO
Primeiro, em 2014, surgiu o Pedro e vieram muitos mais Pedros, nomeados em títulos e personagens. Outros Pedros é de 2018. Entre estes e o próximo, Tantos Pedros, dois livros em 2020, Bicha e Viado, veias abertas de questões pungentes como a homossexualidade e a identificação de orientação sexual frente à hipocrisia de uma sociedade cínica e preconceituosa diante de tudo aquilo que por ela não foi normatizado. Pedro(s) – roteiros e resquícios é de 2021, Pedros (fragmentos) é de 2022. Entre este e o Pedro seguinte, é publicado o volume NÃO – 3 Peças, em 2022. Em 2023 vem à luz Pedro / Insistências. Agora, neste 2025, ano de crises planetárias aterradoras, genocídios e desumanidade, tempos dos pós-tudo, Marcos presenteia seus leitores com este Descuidos para morrer de amor.
Impressiona, diga-se, a regularidade com que escreve e publica. São nove volumes em nove anos, todos com a chancela Alpharrabio Edições. Títulos e temáticas semelhantes, mas diferentes. Pedro é uma multidão de seres humanos com suas angústias, seus espantos, seus medos, sempre envolvidos com histórias de amor, de perda, rejeição e sofrimento. Sim, o amor comanda essa literatura, mas jamais lembra sequer o amor romântico, edulcorado ou idealizado. O amor humano, simplesmente, por demais humano, com suas fraquezas, incoerências e cegueiras, o amor.
Classificar esta literatura é tarefa difícil, mas não é o que preocupa, já que as fronteiras entre gêneros cada vez mais desaparecem ou são tênues, quase invisíveis! Crônicas? Minicontos que mais parecem poemas (e são, por que não?). Em síntese, são textos breves que sempre acertam o leitor na sua sensibilidade, na sua consciência social e humana.
O autor vale-se de um mínimo de recursos para formar um modelo estilístico único no qual a palavra é lixada, lapidada, afiada, até não restar uma única rebarba em sua superfície. O resultado é uma criativa série de microcontos, quase poemas alguns, apaixonados e apaixonantes todos
Ainda que a abordagem amorosa seja prevalente, Lemes jamais resvala pelo panfleto ou levantamento de bandeiras. Sua causa é clara e, sobretudo, humana. A causa da literatura e de sua humanidade, pois assim os textos foram criados com a arte necessária para que possam ser chamados de literatura, boa literatura. E, como é sabido, a causa humana, envolve denúncia, reflexão e, sobretudo, beleza.
Neste seu novo livro, conta o autor, são reunidos “textos que compreendem um período de 20 anos de pesquisa e escrita sobre o amor (…) minha inquietação temática”. O certo é que essa causa do amor é tratada, novamente, pela palavra e estética, pelo lido, pelo sentido, pelo pesquisado e literariamente transfigurado.
Acompanho, sempre com muito interesse o trabalho de Marcos em cena e também na função de diretor teatral, desde a última década do século passado. Se o admirava no palco, passei a ser leitora cativa dessas suas preciosidades literárias minimalistas, nem sempre “leves”, mas com o peso ideal da arte.
Aprecie, leitor, sem moderação.
Dalila Teles Veras, poeta e editora
título: descuidos para morrer de amor
autor: marcos lemes
projeto gráfico e capa: isabela a. t. veras
revisão: rosana Chrispim
Imagem autor: Kim Leekyung
Alpharrabio Edições, 2025
ISBN: 978-65-87810-51-5

